Cuvete
Agradecia que me informassem qual o aportuguesamento usual (se há) entre os entendidos para um recipiente utilizado em nefelometria e actividades similares que se internacionalizou a partir do termo francês em epígrafe. Cubeta (só existe no Morais, mas com outro sentido)? Cuvete? Cuveta?
Acerca da classificação de contra- como prefixo
Na palavra contra-revolucionário, contra é, ou não, um prefixo? Eu não o vejo como tal, visto existir, no nosso léxico, a palavra contra, tendo ela uma autonomia de que não gozam os prefixos (Ex.: «Ele manifestou-se contra a posição oficial da Igreja»). Nesta minha perspetiva, a palavra contra-revolucionário seria formada por composição. Ora, à luz do novo Acordo Ortográfico, as palavras compostas onde «não se perdeu a noção de composição» mantêm o hífen, pelo que me parece que se deva grafar contra-revolucionário (contrassenso já não teria hífen, porque se perdeu a noção de composição da palavra).
Agradeço, desde já, a atenção dispensada.
Começara/tinha começado
Gostaria de saber se existe diferença no emprego do pretérito mais-que-perfeito simples e do composto do indicativo.
Vejam-se as frases:
1) "A aula já começara quando cheguei."
2) "A aula já tinha começado quando cheguei."
Será que haveria diferença, ainda que sutil, entre uma frase e outra? Existiria alguma situação em que tais pretéritos se diferenciariam no sentido da frase, em que este ou aquele sentido fosse exclusividade de um ou de outro?
Obrigado pela atenção.
A etimologia das palavras sujeito e predicado
Gostaria de saber a etimologia das palavras sujeito e predicado.
A classificação de luso
Sou professora de Português e surgiu-me uma dúvida. Estou a trabalhar com o processo de formação de palavras e não estou suficientemente certa de como classificar luso: é um radical, ou uma palavra? No dicionário da Porto Editora, surgem duas entradas: «luso, adj., n. m. lusitano; português; lusíada…» e «luso-, elemento de formação de palavras que exprime a ideia de lusitano, português»...Em diferentes gramáticas, já vi tratado como radical e como palavra, porém convém ter certezas absolutas, dado que a classificação do processo de formação de lusodescendente e de luso-brasileiro (composto morfológico ou morfossintático) está condicionada pela classificação que fizermos de luso: radical ou palavra.
O uso da palavra hipotisar no meio jurídico
«[...] nem pode deixar de se hipotizar [...] que a causa de morte nada tenha a ver com um confronto físico ainda que este confronto tenha ocorrido (nada se sabe sobre o eventual desenrolar do confronto, e trata-se de uma morte compatível com uma queda de pequena altura), nem pode deixar de se encarar como possível (tão possível como a hipótese relatada na acusação) a do envolvimento do marido da Arguida nos factos» (Acórdão do Tribunal de Relação de Guimarães).
«Poderá assim hipotizar-se a questão de os factos denunciados estarem relacionados com o exercício da função que o mesmo assistente aduz exercer» (Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça).
No meio jurídico a palavra "hipotizar" é muito utilizada. A psicologia parece que também não se inibe de aplicá-la. Os vários dicionários que pesquisei (Academia das Ciências, Houaiss, Verbo, etc.) não a referem. Estrangeirismo? Neologismo? Ou coisa de advogados e juízes?
O sexo das letras
Em tempos de conflitos armados em regiões distantes do planeta é comum surgir a dúvida sobre a grafia de determinadas palavras. A questão é a forma como a pergunta é colocada. Quem pergunte se, por exemplo, Kosovo se escreve com um "K" ou com um "C", está a atribuir o sexo masculino a uma letra e as letras são femininas. Pergunto: a fórmula correcta não deveria ser: Kosovo escreve-se com uma "K" ou uma "C"?
Obrigado.
O uso do artigo definido antes de «português» e «língua portuguesa»
Queria perguntar se nas frases seguintes o uso do artigo definido (ou a sua falta) antes de «português» e «língua portuguesa» está correcto.
1. «Não sei como se escreve esta palavra em português/na língua portuguesa.»
2. «No português (na língua portuguesa) existem muitos tempos passados.»
3. «Traduziu o livro de polaco/da língua polaca para português/a língua portuguesa.»
Obrigada pela resposta.
A sintaxe de obedecer, novamente
Caros senhores, no versículo 27 do capítulo 8 do evangelho de Mateus (Novo Testamento) podemos ler: «Quem é este que os ventos e o mar lhe obedecem?» Tenho a impressão de que o tradutor cometeu um erro de regência, pois as gramáticas nos ensinam que o pronome relativo pertence ao verbo que vem depois. Como o verbo obedecer é transitivo indireto (exige complemento preposicionado), creio que a preposição deve anteceder ao pronome relativo. Assim, o tradutor bíblico deveria haver escrito: «Quem é este a que os ventos e o mar obedecem?» Estou certo, senhores? Se tenho apoio gramatical, como analisais a supramencionada tradução?
Quero agradecer-vos a fineza de responder-me.
"Ludopata"?
É possível em português formar as palavras ludopata e ludopatia (à semelhança do que acontece em espanhol), referindo-se respectivamente ao viciado nos jogos de azar e ao vício patológico nos mesmos? Não encontrei estas palavras em nenhum dicionário, mas visto que ludopata, por exemplo, é formado por “ludo” e “pata”, constituintes de muitas palavras portuguesas, talvez fosse possível a sua construção. Será?
