DÚVIDAS

Os neologismos desreconhecer e desreconhecimento
Nenhum dos dicionários de língua portuguesa que consultei ― Porto Editora, Houaiss, Texto Universal, Lello, Aurélio, Academia das Ciências, Priberam ― inclui o verbo «desreconhecer», utilizado no domínio económico com referência a ativos financeiros, ou na esfera política, indicando a retirada da legitimidade ou reconhecimento político de um partido, sindicato, organização ou Estado. Será que existe tal termo, ou tratar-se-á de um anglicismo ― «derecognise/derecognize» ― ainda não dicionarizado?
A si / a você
Sabemos todos que o uso da palavra você a seguir depois de preposições é o que se considera correcto no estado actual da norma brasileira do idioma. E em Portugal? Até outro dia achava eu quase impossível ouvir os portugueses dizerem: a você. Mas foi isso mesmo o que eu ouvi em "Café Lisboa" da RTP Internacional. A Simone e "Os Anjos" cantaram (e depois repetiram a dizer) assim: Parabéns a você. Porque é que eles não disseram Parabéns a si? Tudo isso deixou-me muito confuso. Acudam!
Expressamente
Agradeço o esclarecimento brilhante que me deram acerca das palavras "Express" e "expresso" mas ainda permanece uma dúvida no meu espírito. É a seguinte: a palavra "expressamente" significa "exclusivamente" ou "de forma escrita"? É que surgiu uma dúvida na interpretação da seguinte frase: "...áreas expressamente destinadas a fumadores".Ver ponto 2 do artigo 2º do Decreto-Lei nº226/83 de 27 de Maio. É que, como reconhecerá concerteza, consoante a interpretação que se dá à palavra "expressamente" assim a frase assume diferentes significados. Por exemplo, se pela palavra "expressamente" se entender "de forma escrita" então a referida área poderá servir tanto a fumadores como a não fumadores sendo estes últimos obrigados a serem fumadores passivos contrariando o espírito da Lei e do Decreto referido quando afirma a "Proibição de Fumar (nos referidos) Locais". Se pelo contrário se atribuir à palavra "expressamente" o significado de "exclusivamente", nesse caso a referida área será escolhida de entre as salas ou espaços alternativos de tal forma que os não fumadores não sejam obrigados a entrar nem a respirar o fumo do tabaco, como é lógico, porque o fumo do tabaco, como qualquer consumo, só interessa a quem o consome, minimizando-se o mais possível os riscos para os não fumadores, cuja saúde é assim salvaguardada, pelo menos do fumo do tabaco. É devido a estas diferentes interpretações que solicito a vossa intervenção de especialistas da Língua portuguesa para resolverem de vez este assunto que já se arrasta há 15 anos (fez no passado dia 27 de Maio!). Muito Obrigado.
A tendência para o masculino (nos plurais), novamente
Sou estudante de Letras Português/Inglês do 3.º período e desde a 8.ª série possuo uma dúvida que nenhum professor soube me responder até hoje, ou quando me respondia pelo pouco que eu já havia pesquisado ficava insatisfeita com a resposta. E agora recorro a vocês para me ajudarem. Bem, vou à pergunta: sempre que nos referimos a um casal, tendemos ao masculino; por exemplo, «mãe e pai» = «meus pais»; «tia + tio» = «meus tios»; «prima + primo» = «meus primos»; «irmão + irmã» = «meus irmãos». Por que somente no caso de avós tendemos ao feminino («avô + avó» = «meus avós»)? Teria isso a ver com plural metafônico, ou estou falando besteira?
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