DÚVIDAS

Sobre a divisão silábica, e não translineação
Enviei há 2 ou 3 dias um pedido de esclarecimento para aí, questionando sobre se estaria correcto a professora do meu filho classificar como errado a divisão silábica de palavras com dígrafos (Ex: ca-rro, co-rri-da, re-sso-nou), tomando como certas respostas que obedecessem às regras da translineação. O exercício era claro e pedia que se dividissem as palavras por sílabas. Eu sei que o assunto já aqui foi debatido muitas vezes, já li os Temas... mas a questão que coloco tem a ver com "legitimidade no ensino". Será correcto um professor leccionar dessa forma? Isto baralha muito as crianças, principalmente quando levam um ralhete na escola por terem levado os trabalhos mal feitos e, acima de tudo, por dizerem que foi o pai que os supervisionou em casa e induziu a fazer daquele modo! Continuem o bom trabalho feito nesta página. Foi o local onde, até agora, encontrei mais documentação referente a este meu pequeno problema. Até hoje não recebi por ‘e-mail’ ou vi aqui alguma resposta. Agradecia imenso a V. opinião.
Os acentos gráficos em Maláui e Piauí
Gostaria de saber qual a regra de acentuação em português para vocábulos que terminem em ditongo, seguido de i ou u. Por exemplo, o Vocabulário Ortográfico Comum regista Maláui e Piauí. No entanto, um destes acentos parece-me irrelevante. Se acentuarmos Maláui, evitamos que a sílaba tónica seja i, o que parece indicar que o acento em Piauí é irrelevante. Contudo, se acentuarmos Piauí, evitamos que a sílaba tónica seja au, o que parece indicar que o acento em Maláui é irrelevante. Poderiam esclarecer esta dúvida? Obrigado.
«As boas-tardes»
Antes de tudo, minhas cordiais saudações aos amigos do Ciberdúvidas. Tenho uma dúvida com respeito ao gênero/género das palavras boa-tarde e boa-noite. Tenho a impressão de durante toda a minha vida ter ouvido frases como a seguinte «Mário chegou, deu um caloroso boa-tarde e logo partiu», ou seja, com emprego do gênero/género masculino. Ao ler esta resposta de D´Silvas Filho, pus-me um tanto confuso, pois ele, para minha surpresa, escreveu «a boa-tarde» e «a boa-noite» como nome para essas saudações. Nunca me passaria pelo sentido usar o gênero/género femino nesse caso. Consultei o Houaiss eletrônico que me deu: «— substantivo masculino 1 cumprimento que se dirige a alguém à tarde; boas-tardes Obs.: cf. boa tarde "tarde boa, agradável"» Também há uma entrada para o mesmo vocábulo com o gênero/género feminino, mas diz respeito apenas a algumas espécies de plantas que não citarei aqui. Não haverá sido um pequeno equívoco por sua parte? Muito agradeço.  
A colocação dos acentos no aportuguesamento de palavras estrangeiras
Acabo de ver a resposta dada à pergunta n.º 28 711 (sobre o aportuguesamento de Oregon, Kansas, Arkansas e Oklahoma), e queria aproveitar para lançar uma questão que já há muito me perturba. Não existe nenhuma regra, em português, para a colocação dos acentos (acentos tónicos, não gráficos) nos aportuguesamentos de palavras estrangeiras? Eu tenho observado uma disparidade de critérios, e tendo eu crescido num ambiente multilingue, choca-me um bocadinho quando vejo palavras que na língua original têm acento numa determinada sílaba, e no seu aportuguesamento o acento "salta" para outra sílaba...! O que chamou-me atenção foi a palavra "Arkansas", que em inglês é proparoxítona, ['ɑ:kənsɒ], e no entanto, o aportuguesamento proposto sugere que a palavra seja paroxítona, [ɐɾ'kɐ̴sɐʃ]. Ao que parece, existe o hábito de, ao fazer-se o aportuguesamento de certas palavras, ligar-se apenas à forma escrita, e não à pronúncia original, ou seja, as palavras estrangeiras são aportuguesadas como se a escrita original fosse em português! Estão neste caso Ankara,[aŋkaˈɾa], oxítona, aportuguesada para Ancara, [ɐ̃ˈkaɾɐ], paroxítona (repare-se na raça de gatos e no tipo de tecido angorá); Ottawa, [ˈɒtəwə], proparoxítona, aportuguesada para Otava, [oˈtavɐ], paroxítona (onde é que foram encontrar o «v»?); Addis Abeba, [adis ˈabəba], proparoxítona, aportuguesada para Adis Abeba, [ɐdiz ɐˈbɛbɐ], paroxítona; Bamako, [bamaˈko], oxítona, aportuguesada para Bamaco, [bɐˈmaku], paroxítona; e muitos outros casos, na toponímia ou não. É que, se não houver um critério uniforme para a colocação do acento tónico nos aportuguesamentos, nota-se aqui uma dualidade de critérios. Perde-se toda a legitimidade em exigir certas pronúncias (por exemplo, Florida, e não Flórida — o Estado é deles (dos americanos), mesmo que o nome tenha vindo do espanhol — e perde-se toda a legitimidade em ficar chocado quando francófonos pronunciam «Cutô» (Couto) ou anglófonos pronunciam «Bêicsao» (Baixão)... Gostaria de saber a vossa opinião em relação a este assunto. Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa