«Desejo de» seguido de oração
Solicito a vossa posição quanto à correção desta frase, em especial da expressão sublinhada:
«O desejo manifestado pelo pai foi para se lembrarem dele.»
Obrigado
O verbo estar e o adjetivo inválido
Na frase apresentada, perante o adjetivo inválido, podemos empregar o verbo estar?
«O Rui está com medo de que o seu casamento esteja inválido.»
Obrigado
Se e infinitivo (norma do Brasil)
Lendo uma tradução feita por Brenno Silveira de um dos contos de Edgar Allan Poe, me deparei com a seguinte construção:
«possuir-se boa memória e proceder-se de acordo com as regras do jogo são coisas que constituem etc.»
Estaria correto o emprego do pronome se?
De acordo com Napoleão Mendes de Almeida não se deve usar se quando o sujeito é um infinitivo. Ele cita na sua gramática: «"é proveitoso ler-se esse livro” o correto é "é proveitoso ler esse livro".»
No trecho que me causou dúvida não seria mais correto dizer «possuir boa memória e proceder de acordo…», já que é um sujeito infinitivo?
Obrigado.
Maiúsculas: «golpe de Estado»
Escreve-se "golpe de estado" ou "golpe de Estado"?
Obrigado.
O valor modal do verbo desconfiar
A frase «desconfio de que possa não estar bom tempo para praia» está indicada num manual como exprimindo a modalidade epistémica com valor de certeza.
Agradecia uma explicação para esta classificação.
Obrigada.
Estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...»
Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"?
Poder-se-á considerar:
a) modificador restritivo do nome?;
b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".?
Agradeço, desde já, a V/ colaboração!
Ainda Madagáscar vs. Madagascar
Recentemente, escrevi ao Ciberdúvidas acerca da resposta de 11.05.2021 à pergunta sobre a grafia e a pronúncia de Madagascar, em cuja versão original se lia que a Academia Brasileira de Letras (ABL) recomendava Madagáscar, forma prescrita em Portugal «desde há mais de um século». Informei que a edição atual do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da ABL recomenda apenas Madagascar. O Ciberdúvidas atualizou a informação em 11.11.2025, mas reiterou que, até 1999, a ABL indicava a forma paroxítona.
É verdade, embora tal informação já estivesse desatualizada na data da resposta original, pois a ABL vinha recomendando exclusivamente Madagascar desde a 5.ª edição do VOLP, ou seja, desde 2009, pelo menos. Ademais, conjugada com a observação de que Ivo Xavier Fernandes e Francisco Rebelo Gonçalves condenavam a forma oxítona, essa ressalva pode levar o leitor à suposição equivocada de que, em Portugal, a pronúncia aguda era infrequente ou, pelo menos, inculta. Não era nem uma nem outra coisa.
O próprio Gonçalves Viana, em cujo parecer de 1899 à seção de ensino da Sociedade de Geografia de Lisboa se encontra, pela primeira vez, a recomendação expressa da forma paroxítona, admitiu tacitamente que a pronúncia corrente era Madagascar, ao dizer "bem fôra que se restabelecesse a verdadeira accentuação portuguesa em outros nomes, como Madagáscar, evidente na medição do verso dos Lusíadas em que apparece o nome da maior ilha africana". Já Cândido de Figueiredo o admitiu expressamente, na obra Falar e escrever: novos estudos práticos da língua portuguesa, de 1906: «Geralmente, temos dito Madagascár, talvez levados pela regra de que são oxítonas ou agudas as palavras terminadas em ar. Mas parece estar demonstrado que a pronúncia exacta é Madagáscar.» José Barbosa Bettencourt, em Subsídios para Leitura dos Lusíadas, de 1904, anotou: «Madagáscar. O verso mostra que era esta a primitiva acentuação.» Se se ouvisse Madagascar a uns poucos ou apenas aos ignorantes, e Madagáscar à maioria ou aos cultos, por que falariam Gonçalves Viana em "restabelecer" a "verdadeira" acentuação portuguesa, Cândido de Figueiredo em "parecer" estar demonstrada a "pronúncia exacta", e Barbosa Bettencourt em "primitiva" acentuação?
Há mais, porém. Na pergunta n.º 9 da p. 45 à seção de consultas da Revista de Portugal: Língua Portuguesa, Série A, Volume 3, de 1943, um leitor, quase meio século depois do parecer de Gonçalves Viana, manifestou o seu espanto com a "nova" pronúncia paroxítona: «Sempre ouvi dizer Madagascar, com o acento na última sílaba, a não ser na Itália, onde se diz Madagáscar: ultimamente, porém, voltando a Portugal, também ouvi o tal Madagáscar. Apoiam-no em Camões (Lus. X, 137), que afirma alguns dizerem Madagáscar. Mas ainda supondo que todos então dissessem assim, essa pronúncia, pelo uso e especialmente por influência do francês, não terá evolucionado para Madagascar? E note-se que foram precisamente os franceses que mais espalharam o conhecimento do nome dessa Ilha.»
A resposta remete a Gonçalves Viana: «R. Legitimamente, parece não se ter dado tal evolução fonética. O nome antigo e português da ilha foi Madagáscar, e não Madagascar, para todos aqueles que lhe não chamavam ilha de S. Lourenço. Considerando aquele o legítimo profano, até firmado na acentuação do malgaxe local, os mestres modernos da Fonética, e à frente deles Gonçalves Viana, trataram de o reivindicar, quando a influência francesa ia já conseguindo deslocar-lhe o acento, passando o topónimo de grave a oxítono. Desta vez parece que com algum êxito, porque hoje, nos nossos estabelecimentos de instrução secundária, já não há professor de Geografia que não ensine Madagáscar, em vez de Madagascar, e ao contrário Gibraltar, em vez de Gibráltar.»
Chama menos a atenção o evidente eufemismo em dizer que «ia já conseguindo deslocar-lhe o acento» (compare-se com o tom do testemunho coevo do próprio Gonçalves Viana) que o estranhamento da "nova" pronúncia por um português claramente culto. Nem mesmo o argumento da acentuação local se sustenta, pois, embora seja paroxítono, o nome do país, em malgaxe, é Madagasikara.
Parece-me, por todo o exposto, mais exato dizer que a pronúncia grave atual, no português europeu, resultou de uma interferência culta tardia, e que a pronúncia aguda atual, no português brasileiro, dá continuidade àquela que era corrente antes dessa interferência.
A expressão «à papo-seco»
No outro dia, ao ler o jornal, deparei-me com esta expressão portuguesa, que eu nunca tinha ouvido: «entrar à papo seco».
Podiam-me dizer de onde surge e o que significa na realidade esta mesma expressão?
Obrigado.
Minúscula inicial em «história de Espanha»
«No passado dia 18 de janeiro de 2026, ocorreu em Adamuz, na província de Córdova, um dos mais graves acidentes ferroviários da História recente de Espanha», ou «No passado dia 18 de janeiro de 2026, ocorreu em Adamuz, na província de Córdova, um dos mais graves acidentes ferroviários da história recente de Espanha»? Ou seja, nesta frase, história deve-se escrever com maiúscula ou minúscula?
O uso adverbial de pouco: «depressa e bem há pouco quem»
No provérbio «Depressa e bem há pouco quem», a palavra pouco é advérbio de quantidade, modificando o verbo há?
Ou é pronome indefinido, referindo-se a poucos, interpretando-se como «Depressa e bem há poucos que o fazem», por exemplo?
Obrigada.
