«Fazer erro», «cometer erro»
Vejo que muitos gramáticos modernos condenam a expressão «fazer erro» (inclusive já vi esta condenação nesta página), que seria a forma francesa para o nosso «cometer erro».
Contudo, relendo o episódio da Inês de Castro retratado por Camões n'Os Lusíadas, deparei-me com: «Sabe também dar vida com clemência A quem pera perdê-la não fez erro.»
Ora, não seria essa uma constatação de uso antigo da expressão na nossa língua, muito antes de o francês começar a influenciá-la tão intensamente? Por que, então, mesmo tendo Camões, o maior nome de nossa literatura, a usado, ela é condenada?
Por último, não pode isso ser uma evidência de que, apesar da semelhança com o francês, ter sido uma forma que surgiu naturalmente no seio do nosso idioma, assim como surgiu entre os franceses?
Muito obrigado.
Valência
Eu gostaria de tirar uma dúvida em relação a uma expressão, cuja forma correta não sei escrever. Qual é o correto (não estou seguro quanto a escrita correta)?
a). «Um senhor teve convulsão dentro do trem. À valência dele, havia um médico ali».
b). «Um senhor teve convulsão dentro do trem. À valença dele, havia um médico ali».
A expressão “à valência (ou: à valença)” equivale a “por (para) sorte”: «Um senhor teve convulsão dentro do trem. Por (para) sorte dele, havia um médico ali».
Eu ouço mais a letra “b”, porém acho que a “a” seja a correta.
Antecipadamente, obrigado.
A construção «mesmo sem» + infinitivo
Aqui no Brasil muitas pessoas costumam construir orações concessivas com a expressão «mesmo sem» a anteceder um verbo no infinitivo.
Exemplo: «Mesmo sem vê-lo, posso senti-lo.»
Entendo que se trata de uma locução de cuja legitimidade eu duvido bastante. Gostaria de saber a vossa opinião.
Agradeço-vos a atenção!
O regionalismo deboeira
No Douro Vinhateiro (Alto Douro) há um termo muito usado, "deboeira" ou "debueira" (desconheço a grafia) quando se trata de delimitação das estremas de prédios rústicos e que consiste, basicamente, numa pedra que se destaca do solo, na qual é cavada na sua parte superior uma curvatura (sensivelmente um semicírculo) através do qual (semicírculo) se faz o alinhamento com outra marcação.
Agradeço a pesquisa, nos diversos dicionários, sobre este regionalismo, que como referi é muito comum no Alto Douro.
Locuções inexistentes: «não excluso que» e «incluso que»
Há como me informar se há registros em algum dicionário, gramática ou mesmo Corpus do português, das locuções «não excluso que» e «incluso que» enquanto conjunções explicativas?
Vi essa informação em um livro não tão antigo (A palavra que, 1961) de Arlindo de Sousa, sem, aliás, abonar nenhum exemplo.
Obrigado
Maiúsculas: «golpe de Estado»
Escreve-se "golpe de estado" ou "golpe de Estado"?
Obrigado.
O apelido (sobrenome) Munhoz
Quanto a grafia do sobrenome Munhoz, qual seria a forma correta na língua portuguesa?
A letra Z deve prevalecer como marca etimológica ou não?
Obrigado.
Suplicar e querer
Pergunto-vos se o verbo suplicar admite esta ocorrência:
«Ele suplica QUE queria ver a pessoa DE QUEM ele estaria gostando.»
Aproveito, ainda, para se a expressão «de quem» está correta.
Obrigado.
A classe de palavras de ocupado e enviado
Em frases como:
1. O médico está ocupado.
A palavra ocupado o que é categorialmente (adjectivo, verbo, particípio passado, nome, etc)?
Assim como na frase:
2. Os testes são enviados.
A palavra enviados o que é categorialmente?
Obrigado.
O verbo fazer: «faz de alguém um herói»
Perguntava-vos se na frase «Isso é o que faz alguém "de" herói» há alguma incorreção do ponto de vista sintático?
Obrigado.
