DÚVIDAS

O verbo ir num verso de Camões: «Vai fermosa e não segura»
No vilancete camoniano “Descalça vai para a fonte”, no verso «vai fermosa e não segura», o constituinte «fermosa e segura» é classificado como predicativo do sujeito, o que confundiu os alunos, dado que o verbo ir seleciona complemento oblíquo, como no 1.º verso: «… vai para a fonte». Agradecia a vossa explicação, porquanto as gramáticas que consultei não foram esclarecedoras.
Orações relativas explicativas e orações coordenadas explicativas
Contextualizando: eu aprendi que orações restritivas focam numa parte do todo e as orações explicativas focam no todo que consequentemente geram os seguintes pressupostos: «Os professores que são didáticos devem possuir melhores salários.» (Estou restringindo «professor», já que nem todos são didáticos) «Os professores, que são didáticos, devem possuir melhores salários.» (Estou explicando «professor», já que todos são didáticos) A minha dúvida é  se as orações coordenativas explicativas permitem esse mesmo pressuposto, já que explicam. Do contrário, o que me permitem pressupor? Essa dúvida se amplia no exemplo abaixo: «Expulsaram o aluno João Ferreira, que brigou na escola.» O que nesse caso poderia ser visto tanto como pronome relativo («João Ferreira brigou na escola») e conjunção explicativa («porque brigou na escola»), o que mudaria o sentido. Obrigado.
Mediador
Verifico, a nível de temas de psicologia (mais propriamente na área das teorias da modificabilidade cognitiva: R Feuerstein et al.) que o termo inglês: "mediator", em espanhol: "mediador", foi traduzido por insignes psicólogos portugueses por mediatizador, o que me parece deslocado. Prefiriria o mediador. Os vossos comentários, por favor. Creio, se tiver razão, que estamos perante mais um caso de traduções inadequadas por parte de especialistas de diversas áreas do conhecimento que não se socorrem de pareceres prévios.
O género de subcomandante
É sabido que algumas profissões aparecem nos dicionários como «nome masculino». Embora comandante seja um nome com dois géneros, subcomandante aparece em alguns dicionários como masculino (como no caso da Infopédia). A minha dúvida é a seguinte: Se realmente o género de subcomandante é apenas masculino, como se deveria chamar a uma mulher que ocupa esse cargo? «A Isabel é o subcomandante da marinha» ou «A Isabel é a subcomandante da marinha»?
Ensurdecimento
Duas amigas conversavam sobre a evolução da Língua Portuguesa. A dada altura, quando falavam sobre a sonorização, ou seja, a passagem das consoantes surdas (p,t,c) para as sonoras (b,d,g), uma delas garantia que houve, mais tarde, um ensurdecimento ou dessonorização, ou seja, o processo contrário. A minha pergunta é esta: houve realmente alguma vez um ensurdecimento ou dessonorização? Estas palavras estão correctas? Obrigada pela disponibilidade.
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