DÚVIDAS

Os gentílicos de Matosinhos
O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo; Topónimos e Gentílicos de I. Xavier Fernandes; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e Enciclopédia D.N. – todos eles assinalam dois gentílicos para a referida cidade nortenha: matosinhense e matosinheiro. Em roda de amigos surgiu a dúvida sobre matosinheiro. Se bem que a mais comummente empregado seja matosinhense, podemos considerar errado matosinheiro ou ambos estão absolutamente correctos? Agradeço o vosso empenho em prol da língua portuguesa. A resposta segue o Acordo Ortográfico de 1945.
Pronomes adjuntos vs. adjetivos
Por que incluímos determinadas palavras na classe fechada dos pronomes adjuntos (ou pronomes adjetivos)? A dúvida é anterior à determinação da quantidade de adjetivos ou de pronomes adjuntos, pois ela se refere a seus respectivos conceitos. Em outras palavras, qual conceito determina que certas palavras sejam pronomes (adjuntos), e não adjetivos, dado que ambas as classes se referem ao nome?
Concordância: «Quanta luz é o suficiente para...»
Num artigo deparei-me com a seguinte sequência: «Quanta luz é o suficiente para...» Tendo em conta que luz é nome feminino, não deveria existir uma concordância entre esse nome e a expressão «o suficiente»? Sei que «o suficiente» é uma expressão adverbial, contudo sendo o verbo ser selecionador de predicativo do sujeito, pergunto se é possível manter a estrutura da expressão adverbial. Obrigada.
Concordância no plural com dois infinitivos
Numa resposta a uma pergunta feita por mim, cujo título é “Concordância com infinitivo: 'Agrada-me dançar e cantar'”, a consultora Carla Marques disse: «um sujeito composto por duas orações coordenadas desencadeia uma concordância na 3.ª pessoa do singular». E justificou citando um trecho da Gramática do Português (Fundação Calouste Gulbenkian). Compreendi muito bem a sua resposta, pela qual lhe fico muito agradecido. Só que, lendo na Nova Gramática do Português Contemporâneo de Lindley Cintra e Celso Cunha, em relação a concordância, apareceu o seguinte: «Mas o verbo pode ir para o plural quando os infinitivos exprimem ideias nitidamente contrárias: «Em sua vida, à porfia, Se alternam rir e chorar.» (A. de Oliveira, Póst., 43.).” » Aí, eu pergunto: 1.º Por que há a possibilidade de o verbo ir para a 3.ª pessoa do plural, já que o sujeito feito de infinitivos não possui um núcleo pronominal ou nominal a ser fonte para uma concordância numérica? 2.º Então, teria de aceitar que «rir e chorar» são sujeitos compostos apesar de não possuir um núcleo pronominal ou nominal? Desde já, muito obrigado.
O que era, o que é e o que virá, outra vez
A resposta do Prof. José Neves Henriques suscita uma dúvida de ordem semântica, que está na origem da minha pergunta. Vejamos: "o que era, que é e que virá" não me parece ser o mesmo que "o que era, o que é e o que virá". Na primeira frase há uma idéia de simultaneidade, e, na segunda, não. Supondo-se que se trata do passado, do presente e do futuro, não é possível, no âmbito do pensamento, visualizar algo que incorpore simultâneamente os três estados temporais. Assim, se, a exemplo do prezado Professor, mudássemos a frase, teríamos: "Na Bíblia, o passado, o presente e o futuro são descritos com sabedoria" (verbo no plural, concordando com o sujeito composto). Não se poderia estender esse raciocínio para cada pronome "o", que adquiriria um caráter semântico diferente dos demais, forçando a considerar a frase constituída de sujeito composto com três núcleos, portanto, com o verbo no plural? Evidentemente o verbo no singular soa melhor; evidentemente, como já tem repetido o Prof. José Neves Henriques, a Língua é também para ser sentida; mas a questão permanece... Obrigado.
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