A palavra "pilharoca"
Sou um fervoroso adepto do bom português, o que cada vez vai sendo mais difícil.Ao ler recentemente uma entrevista, ouvi a palavra "pilharoca" como se da camada inferior da pele do porco se tratasse.
Como não encontro em nenhum dicionário essa palavra, agradeço me esclareçam, por favor.
Génese do romantismo português
Poderiam dizer-me no que é que se baseia a experiência do exílio e a sensibilidade romântica?
Origem do se impessoal
Diz o Cíber em 01/10/2008
«... numa frase como: "Ele disse muitas asneiras, o que não convém que se saiba", "o que" desempenha na frase a função de objecto directo do verbo saber...»
«... o constituinte objecto directo é composto pelo pronome que e pelo determinante o que o acompanha.»
Nuno Carvalho :: 01/10/2008
Digo eu:
— Trata-se do sujeito da oração completiva ou integrante que se saiba, uma vez que estamos perante uma passiva de se (partícula apassivante).
Comentário:
Reconheço que alguns analistas falam dum se indefinido — e talvez, nalgumas situações, se possa vislumbrar vaga hipótese da existência de tal categoria. Mas... não neste caso.
Se fosse professor de Latim, aquele colega consultor teria de sancionar como errado o caso acusativo (complemento directo) e validar, exclusivamente, o nominativo, que é o caso do sujeito.
Comerciologia = «Marketing»
Enfim, alguém resolve enfrentar a fatalidade do "marketing". Ainda bem, Ciberdúvidas. Deduzo da resposta à questão do mercadólogo que este e os outros neologismos mencionados ainda não se encontram nos dicionários. Espero que não demorem. Por outro lado, pareceu-me notar preferência pelo mercadólogo, quando comerciólogo soa melhor. Porquê essa preferência?
Fio de Ariadne
Não sei o que é um fio de ariádines.
Por favor, me ajudem.
«Ao contrário do que se pode pensar»
– oração subordinada conformativa
– oração subordinada conformativa
No período «para fazer isso, ao contrário do que se pode pensar, é importante ter dúvidas», «ao contrário do que se pode pensar» é uma oração intercalada? Caso não o seja, como deve ser classificada?
Ainda sobre a mesma oração, à primeira vista interpretei «ao contrário» como locução adverbial e «do que se pode pensar» como oração subordinada substantiva completiva nominal. Ocorre que encontrei uma explicação que classificava «que se pode pensar» como oração subordinada adjetiva, considerando pronome demonstrativo o o (contido em de+o). Qual das interpretações é correta? Se a referida oração for subordinada substantiva completiva nominal, estaria ela subordinada à locução «ao contrário»? E se «que se pode pensar» for adjetiva, qual a função sintática de «ao contrário».
Agradeço por este e por tantos outros esclarecimentos com os quais fui presenteado por vocês!
Traduções da rotulagem
Creio que em Portugal a lei vigente indica que todo o artigo oriundo do estrangeiro e que entra no mercado nacional deverá ser traduzido nomeadamente com a «lei sobre a rotulagem», porém reparei que nos últimos tempos a lei deixou de ser o que era.
Um exemplo concreto é o de uma empresa francesa que comercializa leguminosas embaladas e através da sua filial espanhola implantou a Valerianela locusta com o nome vulgar de canónigos, hispanismo escusado, uma vez que no repositório da «flora digital de Portugal» abundam os nomes vulgares em português para esta planta. Exemplos desses posso ainda citar dois com também duas firmas francesas, uma no sector da panificação em que o termo Millet é utilizado em vez dos diferentes nomes vulgares da língua de Camões, quanto a outra empresa, essa no ramo da cosmética, recorre ao termo Imortelle para uma das espécies de Helichrysum, e quando tentamos perceber o porquê, a resposta é categórica: «os nossos consumidores conhecem melhor esse produto sob essa mesma designação».
A minha pergunta é a seguinte: existe algum organismo que verifique a boa execução da tradução para o nosso idioma?
Caso assim não seja, eu só posso estar pessimista quanto ao futuro do português...
Perfeccionismo
Gostava de saber o significado da seguinte palavra: perfeccionismo.
«Apetecia-lhe ir ao baile» (II)
Parece-me que houve um engano na resposta à consulta de Irene Maria, em 15/3/2012. O verbo apetecer tem, entre outros significados, o de «agradar», que se ajusta muito bem à frase apresentada.
Dessa forma, a oração «ir ao baile» não poderá ter outra função sintática que a de sujeito da oração principal, representada esta justamente pelo verbo «apetecia» acompanhado pelo pronome lhe, que exerce a função de complemento indireto.
É claro também que é muito discutível o recurso usado de substituir apetecer por «querer», no caso em apreço, pois análise sintática não se faz por substituição, mas deve-se fazer tendo em conta o que realmente se apresenta na frase.
Creio que o assunto merece outro exame.
«Ser claro que» ‘vs.’ «ser claro se»
O jornal Público de 05.04.2006 apresenta esta frase: «De acordo com a BBC, não era ainda claro se este processo vai decorrer em paralelo com o de Dujail [...] ou se apenas começará depois deste.» Não me parece legítimo que a expressão «ser claro» reja a conjunção «se» (quanto a mim, «que» seria mais adequada), mas não tenho a certeza de ser incorrecta esta construção. Agradeço, desde já, o vosso esclarecimento.
