DÚVIDAS

Estrutagado e dúvida (concordância + ma + se apassivante)
Nas frases a seguir, a minha dúvida não reside na palavra estrutagado, pois já sei o que é. É uma expressão oral muito usada pelas gentes de Soito da Ruiva, aldeia de Arganil, distrito de Coimbra. Dizem que vão «curar o estrutagado», isto é, um pé ou uma mão torcida. Mas como referi, a minha dúvida não se refere ao uso da palavra e ao seu significado, mas à sua conjugação enquanto sujeito com o verbo, seguido de umas palavras no plural: «O estrutagado são as linhas torcidas, os tendões», ou «O estrutagado é as linhas torcidas, os tendões»? «A primeira coisa que fizeram foram uns pontões…», ou «A primeira coisa que fizeram foi uns pontões»? «O nosso calçado eram as tamanquitas», ou «O nosso calçado era as tamanquitas»? Aguardo um resposta vossa. Mesmo que não encontrem a solução para estas questões em específico, pelo menos tentem encontrar resposta para as outras dúvidas: 1. «Ele sabia que eu levava a carta na algibeira e não me deixava ler...», ou «... e não ma deixava ler»? 2. «Umas cozíamos, outras assávamos, outras deitávamos nuns caniços, secávamos e ficavam as castanhas piladas...», ou «Umas coziam-nas, outras assavam-nas…»? Neste segundo caso não há repetição do sujeito? Pois, umas e outras referem-se às castanhas, assim como o "-nas". Como devo escrever? 3. «Havia aí umas penedas que não se podiam passar...», ou «Havia aí umas penedas que não se podia passar»? 4. «Apenas jogava uma ou duas pessoas», ou «Apenas jogavam uma ou duas pessoas»? 5. «Gostava de lá estar, porque me tratavam bem», ou «Gostava de lá estar, porque tratavam-me bem»?
O emprego dos pronomes de tratamento você/vocês
Minha pergunta alude ao emprego dos pronomes de tratamento você/vocês. Já me venho questionando há bastante tempo sobre a mistura que os brasileiros fazemos de você com os clíticos correspondentes a tu [te, ti (com pouca freqüência), contigo]. Cheguei inclusive a invejar os portugueses, e a elogiá-los, pelo uso conseqüente de tu (e seus derivados) e você [se, si, consigo, o(s), a(s), lhe(s)]. Contudo, tenho observado que também em Portugal se faz essa "confusão pronominal", quando se usa vocês e, em seguida, pronomes que se referem à segunda pessoa do plural — vós. Imagino que seja mais fácil explicar através de exemplos. No Brasil: «O que "você" vai fazer hoje à noite, querida? Posso ir(-)"te" visitar?» (por «Posso ir visitá-la?»). Em Portugal (recortes de uma mensagem enviada por um português e publicada pelo Ciberdúvidas): «Antes de mais, os meus parabéns pela continuação do "vosso" sítio e pela ajuda...» (por «do "seu" sítio»); ao final da mesma postagem: «Agradeço antecipadamente qualquer luz que "me possam" dar» (ou seja, empregou vocês).* Peço-lhes que me esclareçam: como se posiciona a norma-padrão a respeito disso? Como se chamaria esse fenômeno gramatical? Há algo a que possamos chamar "Concordância Pronominal"? De antemão o meu muito obrigado. * Ao citar os exemplos acima, não quis generalizar, pois sei que há um grande número pessoas que usam as formas regulares.
O género de escorrega
De acordo com os dicionários Porto Editora e Língua Portuguesa On-line, um escorrega é um brinquedo formado por um elemento polido e inclinado, para cuja parte mais elevada as crianças sobem e daí escorregam até ao solo. A dúvida é que estes dicionários consideram escorrega, com esta acepção, um substantivo feminino e, portanto, o correcto seria "a" escorrega em lugar de "o" escorrega, como se costuma escrever. É escorrega realmente um substantivo feminino? Estamos a utilizar o género incorrecto?
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