DÚVIDAS

«Não abrimos mão (...) mesmo que tal fosse possível...»
Gostaria de saber se a concordância entre os tempos dos verbos das seguintes orações é aceitável: «Não abrimos mão, porém, assim sem mais nem menos, mesmo que tal fosse possível, de semelhante honra.» O «ser possível» é, na frase em questão, uma impossibilidade definitiva. Ora, se substituíssemos, seguindo as regras de concordância, «mesmo que tal fosse possível» por «mesmo que tal seja possível», já estaríamos a abrir uma hipótese de «vir a ser possível», certo? Por outro lado, o «não abrimos mão» é um facto consumado, que está mesmo a acontecer, logo substituí-lo por um «não abriríamos mão» desvirtuaria o sentido da frase... Mas a frase fica correcta, contudo, tal como a escrevi em cima? Muito obrigada!
O presente do indicativo ou o pretérito imperfeito em reportagem
Quando se elabora uma reportagem, usa-se o pretérito perfeito nas situações em que a acção avança, tal como acontece no discurso narrativo. Se se pretende fazer referências a aspectos de âmbito mais descritivo, deve utilizar-se o pretérito imperfeito (como acontece quando se faz uma descrição, no discurso narrativo), ou o presente do indicativo? Exemplo: «Subimos a S. Leonardo da Galafura. A paisagem era [ou «é»?] sublime. Numa das paredes da capela, voltada para o Douro Vinhateiro, encontrava-se [ou «encontra-se»?] o famoso poema que Miguel Torga dedicou a este local...»
Subscrita
Subscrita pode estar no presente do indicativo ou no imperativo afirmativo ou negativo. «Subscrita a petição pelo advogado, tornem os autos conclusos.» A interpretação pode ser: a) que já foi subscrita a petição pelo advogado...? b) que não foi subscrita a petição pelo advogado...? O tempo do verbo, no caso, qual é? Ou trata-se de adjetivo («petição subscrita»)? Subscrita é homógrafa e homófona. Daí a dificuldade de interpretação. Está correto?
O verbo haver em expressões de tempo, de novo
A propósito da resposta à minha consulta emitida pela professora Eva Arim, em 12/3/2007, peço licença de voltar ao assunto, pois a argumentação não me convenceu. Vejamos: deve-se fazer a uniformidade temporal em frases do tipo da que se examina. Assim devemos dizer e escrever:1 – «O curso foi realizado há muito tempo.»2 – «Ele era professor havia muito tempo.»3 – «Esse assunto deveria ter sido tratado há muito tempo.»4 – «Esse assunto teria sido tratado (haveria) muito tempo.»Agora na frase em exame [«Se eu fosse Daniel, já teria enviado a encomenda (haveria) muito tempo»], vemos que, para se manter a uniformidade temporal, a meu ver, não há como remeter o tempo verbal para o momento em que a frase é produzida, como se diz na resposta, pois o mesmo não se faz com a frase 2, por exemplo. No caso da frase 1, obviamente o verbo haver deve ser conjugado a partir do instante da emissão da frase. O mesmo se diga quanto à frase 3 (apesar de estar o verbo auxiliar da oração principal no condicional, uma vez que essa frase guarda uma diferença sutil em relação à frase 4, cuja estrutura é idêntica à que apresentei). Em «Daniel...», estando o verbo da oração principal no condicional, como não conjugar o verbo haver também no condicional?...Aguardo novas considerações, que desde já agradeço.
Orações coordenadas adversativas, novamente
A questão da classificação da primeira oração na frase composta por coordenação continua a levantar-me dúvidas, apesar de ter lido todos os comentários que aqui surgem a esse propósito. Na minha opinião, a forma mais coerente de classificar essas orações seria a de atribuir a ambas o estatuto de coordenadas, deste modo: «A Sara entrou, // mas saiu logo a seguir.» Classificação: É uma frase composta por duas orações coordenadas adversativas. Ou seja, a marca adversativa recai sobre ambas as orações; a oposição não se verifica apenas num sentido: «Ela saiu, mas tinha entrado», «Ela entrou, mas voltou a sair». Todavia, reconheço que nas conclusivas e nas explicativas o problema poderá colocar-se de forma um pouco diferente; aí, sim, poderá justificar-se falar de oração uma principal e de uma coordenada. Afinal, as conclusivas e as explicativas estão muito mais próximas das subordinadas, do que das coordenadas, penso que isso só não muda por uma questão de tradição.Desculpem o tempo que vos tomei. Obrigado.
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