Margarita Correia - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Margarita Correia
Margarita Correia
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Margarita Correia, professora da Faculdade de Letras de Lisboa e investigadora do ILTEC-CELGA. Entre outras obras, publicou Os Dicionários Portugueses (Lisboa, Caminho, 2009) e, em coautoria, Inovação Lexical em Português (Lisboa, Colibri, 2005) e Neologia do Português (São Paulo, 2010). Mais informação aqui. Presidente do Conselho Científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa desde 10 de maio de 2018.

 
Textos publicados pela autora
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«Marco não apenas para a história da lexicografia de língua portuguesa mas também da sua ortografia. Pela primeira vez, temos uma mesma norma ortográfica aprovada por todos e aplicada ao vocabulário de cada um dos países de forma consensual. Mas o VOC apresenta-se também como a pedra basilar de um novo modelo de gestão desta língua, em que todos os Estados são instados a participar em igualdade de circunstâncias na definição e construção dos seus instrumentos reguladores e em que o IILP se assume como um centro de articulação da vontade e do esforço coletivos, no sentido do desenvolvimento de instrumentos linguísticos comuns e de gestão partilhada a língua que nos une. Com o VOC inaugura-se, portanto, um modelo de gestão linguística único no que concerne às grandes línguas pluricêntricas mundiais.»

[Margarita Correia, na apresentação do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), ocorrida no dia 19 de fevereiro de 2015, na sua qualidade de coordenadora da equipa central que articulou os trabalhos com cada um dos grupos encarregados da elaboração dos Vocabulários Ortográficos Nacionais nos países africanos de língua oficial portuguesa e de Timor-Leste.]

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Alguém gostaria de salvar a morte?!1

 

Quem o motorista salvou da morte, como se refere na notícia, foi o homem que se preparava para se atirar à água, «do meio da ponte 25 de Abril». Logo, o título teria de ter outro verbo. Por exemplo: «Motorista evitou morte na ponte».

 

 

 

Outros textos da autora

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«Os entraves, supostamente linguísticos e técnicos, tantas vezes invocados para contrariar a aplicação do Acordo Ortográfico são sobretudo subterfúgios que visam opacificar uma discussão que se desejaria transparente», escreve a vice-presidente do ILTEC, em artigo saído em 2 de março de 2013, no semanário Expresso, o qual a seguir se transcreve na sua versão mais desenvolvida.

Parecer da linguista Margarita Correia, solicitado pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude sobre a grafia de paraolímpico — e não para-olímpico nem, muito menos, “paralímpicos”. Os argumento nesta transcrição, por autorização expressa da autora e da Associação de Informação Terminológica, sob o título original “Paralímpico vs. para-olímpico vs. Paraolímpico”.

Antes de mais, muito obrigada pela sua questão.
Tal como a maioria das palavras, cáfila apresenta diversos significados, isto é, é uma palavra polissémica. De resto, o problema para quem faz dicionários é, frequentemente, poder dar conta de todos os significados que uma palavra pode adquirir, por processos semânticos diversos e em contextos diversos.

Por exemplo, o dicionário de António de Morais Silva, na sua 10.ª edição, dá conta dos seguintes significados da palavra cáfila:
– Porção de camelos;
– Por ext. Bando de gente ou de coisas;
– Corja;
– Caravana; comboio.

O próprio Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa apresenta quatro acepções distintas para a palavra cáfila:
1 grupo ou quantidade de camelos;
2 caravana de mercadores, em África ou na Ásia, transportada em camelos;
3 por ext. grupo ou multidão de coisas ou pessoas;
4 pej. bando de gente, especialmente de indivíduos ordinários ou maus; corja, súcia.

Como pode verificar, os significados apontados na sua pergunta estão também contemplados nos dicionários que consultei. O que acontece é que, provavelmente, o dicionário que consultou não contém a primeira acepção de cáfila, isto é, «porção de camelos», por qualquer razão que não posso explicar.

De resto, as suas observações não invalidam o teor da pergunta e da resposta, dado que o objectivo não era dar conta exaustivamente dos signific...