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A pronúncia e a grafia de Madagáscar
Pergunta: Por favor, qual a acentuação tónica na palavra Madagascar?
Obrigado.Resposta: Em Portugal, escreve-se Madagáscar, com acento agudo na sílaba -gas-, conforme se pode confirmar pelo Vocabulário da Língua Portuguesa (1966) de Rebelo Gonçalves, e, mais recentemente, pelo Código de Redação do português nas instituições europeias.
Contudo, no Brasil, a forma correta é Madagascar, sem acento...
Uso conjuncional de feito (II)
Pergunta: Não sei se é só no Brasil, mas aparece-me que é de comum acordo aqui que feito pode agir como conjunção.
Por exemplo: «Meu pai está feito um padre»; ou «Ele chorou feito uma mulherzinha».
É correto dizer isto? Não será o caso de uma inversão de termos («Feito uma mulherzinha, ele chorou»/ «Feito um padre, meu pai está»)? Se for conjunção, a norma abona o uso?Resposta: É uso que se aceita como característico da língua popular, mas que geralmente se rejeita quando se trata de falar e escrever formalmente....
Ele como complemento direto (fala popular)
Pergunta: Corre em Portugal usarem o pronome de caso reto ele como objeto? Por exemplo: «Eu amei "ela".»
Foi uma invenção do Brasil ou teve origens com os portugueses que cá vieram?Resposta: É uma tendência que já devia existir na língua à data da independência do Brasil1.
Hoje em dia, no português falado em Portugal, nota-se que é frequente ocorrer ele/ela no lugar de o/a depois de verbos de perceção (ver,...
«Ter graça» e «meter graça»
Pergunta: Ultimamente ouço pessoas (sobretudo adolescentes, em particular o meu filho) usar a expressão “meter graça”.
Não me parece uma alternativa correta à expressão “ter graça” e gostaria de pedir o vosso esclarecimento.
Obrigado.Resposta: A forma tradicional e correta da locução em apreço é «ter graça».
Como se sabe, muitos adolescentes costumam empregar termos do calão e da gíria, bem como inovações (deturpações e verdadeiras inovações) lexicais e sintáticas, de maneira a afirmarem-se como indivíduos e como...
Uso de sacar com regência
Pergunta: «Tebaldo – Como! Sacas da espada contra uns pobres corçozinhos sem força? Aqui, Benvólio! Vem encarar a morte!» (SHAKESPEARE, W. Romeu e Julieta e Tito Andronico. trad. de Carlos Alberto Nunes. 14.ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998, p. 21. ISBN 85-0040978-9).
Encontrei esta construção – o verbo sacar + a contração da – durante a leitura da edição acima referenciada, mais de uma vez, tanto na primeira quanto na segunda obra shakespeariana.
Minha intuição...
