Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Vocabulário Ortográfico Comum
ainda só com cinco dos oito países lusófonos da CPLP
73 mil topónimos entre 310 mil palavras comuns
Por Lusa 320

«(...) Para a língua portuguesa é a primeira vez que aparecem os vocabulários de vários países alinhados, seguindo uma norma ortográfica comum, mas respeitando a variação que há em cada um dos Estados-membros. (...)»

 

 

Praia, 12 maio – O Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) lançou hoje, na cidade da Praia, a plataforma digital do Vocabulário Ortográfico Comum (VOC) com cerca de 310 mil vocábulos de cinco dos nove países que compõem a comunidade lusófona

Em declarações à agência Lusa, Margarita Correia, da equipa central do VOC, disse que a página integra, por agora, cinco Vocabulários Ortográficos Nacionais (VON): Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.

[Esta] responsável, que é também membro do Centro de Estudos de Língua Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra (CELGA-ILTEC), afirmou que Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe estão em «três situações diferentes» para adotar os respetivos vocabulários nacionais.

«O VOC de São Tomé e Príncipe está pronto e carece ainda de validação das autoridades do país, o de Angola está a ser elaborado e, de acordo com as notícias que temos, estará pronto em 2018, e o da Guiné-Bissau não foi possível levar a cabo», indicou.

O caso “sui generis” da Guiné Equatorial

Em relação à Guiné Equatorial, embora tenha adotado o português como língua oficial e aderido à CPLP em 2014, Margarita Correia disse que «do ponto do ponto de vista técnico não faz muito sentido» ter um vocabulário porque o português «não está em uso» no país.

Neste sentido, a responsável disse que a Guiné Equatorial vai seguir o vocabulário comum dos demais membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que reconheceu formalmente o VOC na cimeira de chefes de Estados, que teve lugar em Díli, em julho de 2014.

Segundo Margarita Correia, a página do VOC (http://voc.iilp.cplp.org/) conta, por agora, com cerca de 310 mil vocábulos, sendo que desses 73 mil são topónimos de todos os países «já tratados e catalogados com algum grau de detalhe e pormenor».

No caso de Cabo Verde, Moçambique e Timor-Leste, é a primeira vez que, com recurso léxico gráfico específico, é feito um levantamento sistemático das palavras em uso nesses países, salientou à Lusa.

Sublinhando que o VOC é um «projeto aberto», [o] membro da equipa científica disse que a qualquer momento poderão ser introduzidas novas palavras, incluindo dos três países [lusófonos] em falta e com cada país a desenvolver ou atualizar o seu vocabulário.

Multilateralismo na gestão e política da língua

Margarita Correia disse que a apresentação oficial do VOC da Língua Portuguesa é a concretização de uma prorrogativa do Acordo Ortográfico e a realização de um dos objetivos do plano de ação de Brasília, que atribuiu ao IILP a responsabilidade de produzir o vocabulário.

«Para a língua portuguesa é a primeira vez que aparecem os vocabulários de vários países alinhados, seguindo uma norma ortográfica comum, mas respeitando a variação que há em cada um dos Estados-membros», avançou [o] membro da equipa científica da plataforma, que será apresentada no âmbito da XII Reunião Ordinária do Conselho Científico do IILP.

Margarita Correia disse ainda que é a primeira vez que a língua portuguesa leva a cabo um projeto multilateral de gestão da língua e da política linguística, em que todos os países foram representados em igualdade de circunstâncias.

Também sublinhou a importância da normalização e harmonização da língua portuguesa e da disponibilização da lista de palavras ao público, através de uma consulta na página oficial na Internet.

A base de dados digital tem ainda como objetivo a promoção, difusão e projeção da língua portuguesa.

Fonte

Notícia do correspondente da agência de notícias Lusa, na cidade da Praia (Cabo Verde) – reproduzida também aqui.