Dialecto Alentejano - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Dialecto Alentejano
Contributos para o seu estudo
Manuela Florêncio
Colibri, 2011 187   

Homenageando Leite de Vasconcelos e os seus estudos etnolinguísticos, Dialecto Alentejano*, da autoria da professora Manuela Florênciodivide-se em dois grandes capítulos. No primeiro, na Introdução, reparte-se pelas secções «Alentejo e linguística – razões de uma escolha», «falares e dialetos», «o Alentejo nas diferentes propostas de classificação dos dialectos portugueses», «Leite de Vasconcelos e as recolhas dialetológicas no Alentejo». O segundo capítulo – «O dialeto alentejano no início do século XX – características fonético-fonológicas» – centra-se, por outro lado, na questão das características fonéticas e fonológicas próprias do falar alentejano.

Neste capítulo – «características morfológicas», «características sintácticas», «características lexicais», variedades dialetais alentejanas», «características gerais do dialeto alentejano»  – detalham-se materiais linguísticos recolhidos por Leite Vasconcelos na passagem do século XIX para o século XX, não antes publicados.

Tratando-se, por isso, de um estudo do que escreveu Leite de Vasconcelos há cem anos, a verdade é que ele nos permite hoje  aquilatar a variação do chamado «falar alentejano», ao longo do tempo. Por exemplo, na fonética de ovelha (ôvêlha), coelho (coêlho) ou orelha (orêlha), sem grandes alterações com o passar dos anos. Já com queijo (quiêjo), pequeno (piquiêno) ou guerra (guiérra) que muito provavelmente já não se pronunciam desta forma. 

Em conclusão, este é um trabalho que nunca pode ser concluído, uma vez que a língua é viva e está em constante evolução. 

* livro escrito conforme a norma anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

Cf. Alentejanices Falares do Alentejo 

Sara Mourato