Pelourinho Os erros de Marcelo Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador de acontecimentos políticos, protagonista de um programa intitulado "As Escolhas de Marcelo", emitido aos domingos no primeiro canal da televisão pública portuguesa, RTP. No último domingo, dia 17 deste mês de Abril, resolveu alargar o âmbito do seu comentário e criticar erros de políticos na utilização da língua portuguesa. Mas... diz o povo, no seu entendimento de séculos, «Olha para ti e fica-te por aí» ou «No melhor pano cai a nódoa». E desta vez caiu.... Maria Regina Rocha · 21 de abril de 2005 · 6K
Antologia // Portugal A linguagem do calão Prefácio ao livro "Dicionário do Calão", da autoria Albino Lapa «O calão, a meu ver, começou por ser uma linguagem de defesa do fraco contra o poderoso, do preso contra o carcereiro e algoz, do conspirador contra o juiz e o tirano. Que procurasse tornar-se criptográfica o mais possível, é lógico. Que acabasse por tornar-se parasita, está também na derivação das coisas humanas.» Extrato da carta de Aquilino Ribeiro a Albino Lapa, autor do Dicionário do Calão, de quel foi o prefaciador. Aquilino Ribeiro · 14 de abril de 2005 · 10K
Lusofonias Sobre a lusofonia, a CPLP e a Língua Portuguesa «O conceito [da Lusofonia] mais óbvio é a fala em português. De um ponto de vista estritamente linguístico, poder-se-ia ficar por aí mas, obviamente, não é esse o único aspecto, embora o aspecto linguístico tenha uma evidente importância, umas vezes não suficientemente entendida e outras vezes também mal entendida. (...» [Entrevista do então reitor da Universidade Lusófona, Fernando dos Santos Neves, em Lisboa, a 23 de Março de 2005, para a Tese de Doutoramento em Sociologia do professor universitário José Filipe Pinto.] José Filipe Pinto · 12 de abril de 2005 · 17K
Pelourinho «Os sinos repicam», «os sinos dobram», «os sinos tocam a rebate» Numa daquelas desatinadas intervenções que caracterizaram a cobertura mediática da morte do papa João Paulo II um pouco por todas as latitudes1, duas repórteres da televisão pública portuguesa, RTP, referiram-se assim ao que ouviam e davam a ouvir: «Os sinos repenicam», dizia a que se encontrava junto da Igreja de São Nicolau, em Lisboa; «os sinos repicam», notava a que presenciava o funeral realizado em Roma. O erro não foi só da primeira, no emprego do repenicar, em vez da ... José Mário Costa · 11 de abril de 2005 · 6K
O nosso idioma Falar difícil Há gente que gosta de falar difícil. Alguns por sua cultura bacharelesca e outros pela vivência científica das suas profissões.Há um soneto famoso na literatura brasileira de autoria de um quase desconhecido poeta, Luiz Lisboa, cujo nome não figura nos compêndios didácticos nem consta nas enciclopédias. O poema tem passado de mão em mão e preservado do esquecimento pelo inusitado dos seus versos. Conheço duas versões e três títulos diferentes. Vamos a eles:«A uma deuza (sic)» –... Duda Guennes · 7 de abril de 2005 · 10K
Lusofonias A quem (não) interessa a lusofonia? Na tomada de posse do novo Governo português 1, José Sócrates 2 reservou um curto parágrafo, já no final do seu discurso, para assegurar que a lusofonia constituirá um dos vértices do triângulo estratégico da política externa portuguesa, sendo os outros dois a União Europeia e os Estados Unidos. Não explicou porquê. Creio, no entanto, que vale a pena fazer a pergunta: para que serve aos portugueses a lusofonia?Ainda antes – o que diabo é isso?Finalmente... José Eduardo Agualusa · 23 de março de 2005 · 5K
Lusofonias Errar é humano Agustina Bessa-Luís referiu recentemente que, na sua escrita, os erros acontecem e que os mesmos se repetem, algumas vezes. Revelou também que o seu primeiro e atento revisor é o marido. «É como se fosse um regresso à infância», disse-me depois ao telefone. «Como se tivesse o mestre-escola ao meu lado.» E recordou as pautas dos grandes músicos, muito riscadas, ou os manuscritos dos escritores. Errar é humano.Mas estes erros não aparecem (não deveriam apare... José Carlos Abrantes · 21 de março de 2005 · 3K
Antologia // Brasil Aula de Português A linguagemna ponta da línguatão fácil de falare de entender.A linguagemna superfície estrelada de letras,sabe lá o que ela quer dizer?Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,e vai desmatandoo amazonas de minha ignorância.Figuras de gramática, equipáticas,atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.Já esqueci a língua em que comia,em que pedia para ir lá fora,em que levava e dava pontapé,a língua, breve língua entrecortadado namoro com a prima.O português são dois; o outro, mistério. Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987) · 15 de março de 2005 · 7K
Lusofonias Equívocos do colonizador Ciclicamente, alguns órgãos de comunicação social portugueses sobressaltam-se com aquilo a que, se efectivamente existisse, poderíamos chamar a «deriva anglófona» de Moçambique: os primeiros passos para a integração daquele país da costa oriental da África no espaço da Commonwealth, em meados da década de noventa, fizeram soar as campainhas de alarme destes integérrimos defensores da língua portuguesa.O «passo seguinte» (chegou-se a escrever) seria a substituição pura e simples do portug... António Mega Ferreira · 8 de março de 2005 · 3K
Antologia // Portugal Com palavras Com palavras me ergo em cada dia!Com palavras lavo, nas manhãs, o rostoE saio para a rua.Com palavras — inaudíveis — gritoPara rasgar os risos que nos cercam.Ah!, de palavras estamos todos cheios.Possuímos arquivos, sabemo-las de corEm quatro ou cinco línguas.Tomamo-las à noite em comprimidosPara dormir o cansaço.As palavras embrulham-se na língua.As mais puras transformam-se, violáceas,Roxas de silêncio. De que servemAsfixiadas ... Egito Gonçalves · 4 de março de 2005 · 3K