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Se as línguas mudam, qual é o mal?
Apesar de observarmos que todas as línguas mudam – sim, mesmo a portuguesa –, muitos de nós creem que a mudança é um mal. Será, então, o uso de palavras estrangeiras, por exemplo, uma prática sem perdão? E deverá ou poderá o lexicógrafo desconhecer e recusar toda a inovação? São estas algumas das questões que a linguista e professora universitária portuguesa Isabel Casanova levanta num texto disponibilizado na rubrica O Nosso Idioma e apresentado pela autora na cerimónia que, em 15/10/2014, na Biblioteca Nacional de Portugal...
O contraponto (em português) ao inglês da globalização
A globalização é sobretudo feita em inglês (até agora, quis a História que fosse assim) e gera muitas vezes a crença segundo a qual a cultura hegemónica associada equivale a um modelo universal de pensamento e comunicação. O confronto com outras línguas, incluindo a portuguesa, mostra, porém, que existem princípios e formulações alternativas na interação linguística. Ao encontro deste tema, a rubrica O Nosso Idioma divulga uma crónica da autoria do escritor português Miguel Esteves Cardoso, acerca de um exemplo da fraseologia...
Expressões ambíguas e com duplo sentido
A rubrica Nosso Idioma divulga uma crónica, saída no jornal i, em que Wilton Fonseca surpreende no discurso político português um caso de sintaxe com duplo sentido, capaz de afetar a interpretação da expressão idiomática «lavar as mãos». Fugindo à ambiguidade e aos mal-entendidos, o consultório propõe distinguir cognome de epíteto e definir a função sintática de bem em «fazer bem a alguém». Outros tópicos abordados nas novas respostas: o topónimo...
A língua no seu registo culto e da fala popular
Duas novas entradas na rubrica Montra de Livros ficam a ilustrar a língua no seu duplo registo, o da teoria e da sua aplicação prática, e o da fala popular: • A Língua Portuguesa (Teoria. Aplicação e Investigação), obra que acaba de ser lançada, reunindo alguns dos mais importantes artigos escritos pela linguista portuguesa Maria Helena Mira Mateus, consagrados ao estudo das línguas e à apresentação de resultados da investigação sobre questões particulares do português. • A Medicina na Voz do Povo – livro que já...
Legionela, (escrito) em português
Em Portugal, um surto da doença do legionário (ou «doença dos legionários» ou, ainda, legionelose) na região de Lisboa, mais precisamente em Vila Franca de Xira, trouxe para a atualidade a grafia da Legionella pneumophila. Na página da Direção-Geral de Saúde, a informação disponível explica que a doença é «causada por bactérias do género Legionella», nome de configuração latina, como acontece na elaboração de terminologias científicas, sobretudo nas taxonomias da...
Em português (bem) escrito e (bem) falado
1. O Luxemburgo voltou a ser notícia na sequência de revelações (Luxembourg leaks) sobre um acordo secreto entre centenas de empresas multinacionais e o governo luxemburguês, na época em que era primeiro-ministro o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Notícia que deu azo a uma proliferação de pronúncias bem escusada sobre o apelido/sobrenome Juncker. Recordamos, por isso, o que já antes aqui fora sugerido como mais aproximada da forma de...
Falar «da boca para fora»
Locuções e frases inteiras que dizemos «da boca para fora»*, sem esforço mental aparente (mas com sentido, ainda que inconsciente), recheiam o nosso discurso e constituem uma classe lexical, a das expressões idiomáticas, fraseologias ou sintagmas fixos. Ao encontro deste tema, a rubrica O Nosso Idioma inclui uma crónica da psicóloga clínica e psicoterapeuta Isabel Leal, que propõe uma análise do que deixamos subentendido quando proferimos, com ironia ou sincero espírito de ajuda, o enunciado «esteja descansado»,...
Um IILP independente e reestruturado?
E se o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) fosse reestruturado e se transformasse numa Academia de Academias da Língua, para se afirmar como entidade independente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)? Não seria esta situação mais favorável à coordenação e execução das tarefas de normativização linguística, libertando o IILP da pressão direta de interesses de outra ordem? São estas fundamentalmente as questões que, num artigo inédito e em linha na rubrica Lusofonias, o professor...
"Coulrofobia", um neologismo de arrepiar
Em tempo de Todos os Santos, agora acompanhados de bruxas ou fantasmas célticos e germânicos – o Halloween também procura assustar há alguns anos em Portugal... ao arrepio da tradição popular do país –, vem a propósito um pavoroso neologismo de recente data. É o jornalista português Ferreira Fernandes que descobre a palavra, assinalando com ironia a sua entrada no uso, numa crónica alusiva a notícias sobre crimes perpetrados em França por indivíduos mascarados de palhaço (em inglês clown, palavra também...
Discurso corrente vs. linguagem especializada
Será indiferente usar assassínio ou homicídio? Foi esta a questão levantada em Portugal por vários jornalistas ao noticiarem a pena aplicada ao atleta sul-africano Oscar Pistorius (na foto) na sequência do crime de que foi acusado. Como mostra o jurista Miguel Faria de Bastos, na rubrica O Nosso Idioma, há realmente diferença entre os dois vocábulos, e esta insere-se noutro contraste mais alargado, o existente entre o discurso corrente e a linguagem especializada de qualquer campo...
