A percepção do consulente está correta.
Em consulta à parte de tipos de sujeito no livro Lições de Português pela Análise Sintática, de Evanildo Bechara, constatamos que, em frases com o infinitivo não flexionado e impessoal, se pressupõe a indeterminação do sujeito. Por exemplo, «É proibido fumar aqui» equivale a «É proibido que se fume aqui», pelo que se comprova a existência de um sujeito indeterminado para o verbo fumar.
Em casos assim, o emprego da partícula de indeterminação do sujeito se é completamente dispensável para marcar tal indeterminação, pois o contexto e a forma como o verbo se apresenta no infinitivo já indicam ser indeterminado o sujeito do verbo. Soa redundante o uso do verbo no infinitivo não flexionado e impessoal (que já apresenta um sujeito indeterminado) com o se indeterminador.
Não é por nada que, em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, o gramático Domingos Paschoal Cegalla chama esse uso de «se supérfluo», o qual, em suas palavras, «deve ser evitado«:
«(...) Não é difícil chegar-se ao cume do monte. / (...) Não é preciso muito talento para responder-se a essas perguntas. / O hábito de não se parar nos sinais luminosos... (...) / Ao entrar-se em cavernas, prestar atenção a tudo. (...). É comum atrelar a verbos infinitivos este 'se' inútil, sem função alguma. Releiam-se as frases acima, sem ele, e constatar-se-á que não faz falta.»
Portanto, estão corretas – ao menos na norma-padrão do português brasileiro – tão somente as construções sem o se:
- É proveitoso ler esse livro.
- Possuir boa memória e proceder de acordo com as regras do jogo...
Sempre às ordens!