Plural de estrangeirismos, unidades e de siglas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Plural de estrangeirismos, unidades e de siglas

Não será altura de encarar de frente o facto de muitos neologismos provindos ou de outras línguas, ou de acrónimos, que terminam em consoantes que não são as habituais em Português, ou ainda por trazerem uma fonética invulgar, terem passado ao uso corrente, como substantivos e, portanto, deverem ter uma forma de plural.

Exemplos são os nomes de unidades do sistema SI (antigo sistema métrico decimal), como watt,volt,dalton, ou siglas como PIN (NIP) ou CD-ROM (/róme, não /rõ).

Para as unidades, já nos habituámos há muito a dizer volts ou watts (as formas rebuscadas vátio, vóltio, etc, não pegaram), mas ainda estranhamos que se possa dizer PINs ou CD-ROMs.

E não adianta dizer que são siglas e não devem ter plural, porque não só a Conferência Internacional dos Pesos e Medidas especifica que os nomes das unidades admitem plural (não os seus símbolos, V, W, m, kg,etc.) como um CD-ROM é um objecto real e palpável, tal como um lápis ou um telefone, cujos nomes são substantivos.

Quais as normas a seguir, se não quisermos esconder a cabeça na areia?

Cf. Plural de CD-ROM e CD-Rom e PIN

L. Fraser Monteiro Portugal 5K

Respondo por partes.

Estrangeirismos

Se forem indispensáveis, aceito-os, desde que adaptados à índole da língua (ex.: foi o caso de bidé, grogue, etc.). Se não adaptados e insubstituíveis, uso-os entre aspas ou plicas (ex.: «software», `chauvinismo´); pois as aspas ou as plicas significam uma ressalva em relação às regras da nossa língua (ex.: em `Freud´ as plicas significam que a pronúncia da palavra não deve ser ¦frêu¦).

E quando se usa a grafia original, o estrangeirismo deve formar o plural segundo as regras da língua de origem.

Desde que já exista no léxico português termo com valor semântico equivalente, o estrangeirismo deve ser evitado. Há falantes que gostam de ostentar erudição sobre línguas estrangeiras e se deleitam em semear o discurso com estrangeirismos. Penso que essa prática é um acto de `lesa-língua´.

Unidades

Cada vez mais os técnicos precisam de se entender bem de país para país, pois é frequente suceder que os projectos são concebidos num país e executados noutro, ou haver um grupo misto de nacionalidades num empreendimento. Assim como existem as normas internacionais ISO, para facilitar as trocas, também no caso das unidades existe o Sistema Internacional de Unidades. Neste sistema escreve-se, por extenso: newtons, volts, watts, etc. Para um técnico, concordo que vóltio é já um termo anacrónico. Claro que, como símbolos, as unidades não têm plural nem ponto (ex.: N , V , W , etc.)

Acrónimos (conjuntos de letras ou de sílabas que formam palavras já com vida própria)

Trato-os como os estrangeirismos, se necessário (ex.: caso de ` OVNI ´, sem acento, com plicas, que pronuncio ¦óvni¦ e não ¦ovní¦.

Siglas

Há muito que se convencionou que as siglas não têm plural (ex.: as CRGE: Companhias Reunidas Gás e Electricidade). Convém respeitar as regras, para que todos se entendam na comunicação.

No entanto, desde que a comunicação seja facilitada e que não se fomente a arbitrariedade, não vejo razão para considerar imperativas todas as convenções ortográficas e condenar sempre a inovação. O símbolo gráfico para o plural pode ser útil nas siglas, quando estas não são acompanhadas de outro termo que identifique o número (ex.: na frase `há CD-ROM´, pretende-se significar que há só um, ou que há mais?). Eu actualizaria essa regra do plural das siglas para: `as siglas normalmente não precisam de plural, mas nada impede que o tenham´. Noto que, por exemplo, as Selecções do `Readers Digest´ registam na sua revista de Maio deste ano, p. 62: « ….. CD-ROMs cheios …..». Aqui o símbolo de plural, de facto, poderia ser dispensado. Dispensado, mas não condenado, no meu ponto de vista.

Ao seu dispor,

D´Silvas Filho