O uso de ter com particípio passado faz parte da conjugação verbal, participando nos tempos de compostos. É assim que «tenho estudado» é uma forma do pretérito perfeito composto do indicativo, «tinha estudado» constitui uma das formas do pretérito-mais-que-perfeito do indicativo e «terei estudado» faça parte do paradigma do futuro composto do indicativo (futuro do presente composto, de acordo com a nomenclatura gramatical do Brasil).
Quanto a vir + gerúndio, trata-se de um locução verbal ou perífrase verbal correta, mas que não faz parte dos quadros da conjugação. Usa-se, a par de outras perífrases, para exprimir aspetos da ação representada nas frases. Ou seja, para mencionar duas dessas construções, este tipo de perífrases emprega-se para exprimir valores aspetuais como o de uma ação em curso no momento da enunciação (estar a estudar» ou «estar estudando») ou ação que se prolonga até certo momento (caso de vir + gerúndio).
Acrescente-se que a perífrase de vir +gerúndio corresponde a uma construção da norma culta. Mesmo em Portugal, encontra vários exemplos literários:
(1) «Da parte da cidade, o ancoradouro tinha por muralha o extenso cais - tudo alvenaria, que vinha nascendo da água até terminar em largo passeio [...]» (Ferreira de Castro, A Selva, 1930, in Corpus do Português)
(2) «Com a noite que vinha descendo, o fumo dos cigarros que ambos iam fumando e os assuntos que discutiam, uma atmosfera nebulosa se criava à sua volta [...]» (José Régio, O Príncipe com Orelhas de Burro, 1942, ibidem)
(3) «Mandou por isso que tangessem de novo os sinos, todos à uma, a fim de impedir que os inimigos de Deus se manifestassem tão ruidosamente, conforme o vinham fazendo então» (João de Melo, O Homem da Idade dos Corais, 1992, ibidem)