As consoantes líquidas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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As consoantes líquidas

Se possível, gostaria de saber por que razão se designam por líquidas consoantes como l, r. No caso das oclusivas, existe uma oclusão. Nas vibrantes há a vibração da úvula...

Então qual a explicação para as líquidas?

Grata pela atenção.

Reyna Pereira Portugal 14K

A fonética é um ramo do saber muito antigo que tem procurado identificar os fonemas (unidades sonoras que permitem a comunicação verbal entre os humanos) e representá-los de modo a permitir a comunicação à distância.

As diferentes épocas e escolas têm dado diferentes classificações aos fonemas.

Numa análise minuciosa, poderemos verificar que as letras l e r representam, pelo menos, dois sons cada.

Na palavra local, por exemplo, poderemos notar diferenças entre o l inicial e o l final, de tal modo que muitos falantes da Língua Portuguesa, nomeadamente brasileiros, dizem: [lokau], [portugau] e [braziu].

Estes factos demonstram que a consoante [l] está muito próxima da vogal [u], em fim de sílaba.

As palavras caro e ralar mostram que r entre vogais ou no final de sílaba tem um som mais suave que o r inicial. Vamos procurar apresentar a diferença fonética entre as palavras: caro [‘karu] e carro [‘kaRu], para que esta diferença seja mais nítida.

Para além destes factos, [l] e [r] combinam frequentemente com outras consoantes. Daí a sua classificação como consoantes líquidas: aquelas que são susceptíveis de se combinarem facilmente com outras, como podemos ver em placa e prata.

Para distinguirmos [l], [r] e [R], iremos basear-nos na Nova Gramática do Português Contemporâneo da autoria de Celso Cunha e Lindley Cintra, Ed. João Soares da Costa, Lisboa.

Segundo estes professores, [l], [r] e [R] têm características comuns: são consoantes orais (ou não nasais), constritivas ou contínuas (não oclusivas) e sonoras.

Quanto às características que as distinguem, referem:

[l] – lateral e alveolar
[r] – vibrante e alveolar
[R] – vibrante e velar.

As consoantes líquidas da Língua Portuguesa são portanto aquelas que estão próximas das vogais como é o caso de [l] e [r] e que, além disso, combinam com as oclusivas orais sonoras [b] [d] [g], com as oclusivas orais surdas [p] [t] [k], ou com a fricativa surda [f].

A consoante [R] é vibrante, mas não é líquida, visto que não surge na mesma sílaba com as consoantes acima referidas, nem com quaisquer outras.

A. Tavares Louro