DÚVIDAS

Ter a ver e ter a haver
Embora já tenha visto escrita a expressão «ter a ver», várias pessoas que conheço, incluindo eu próprio, acham mais lógica a expressão «ter a haver». Apesar de já ter visto uma resposta a esta pergunta aqui no "www.ciberduvidas.com", não fiquei completamente esclarecido, pelo que agradecia se me pudesse clarificar melhor as ideias. Na referida resposta podia ler-se "Nada a haver tem sentido completamente diferente: que não tem nada a receber." No entanto, o facto de não ter nada a haver, significando que não tem nada a receber, implica que não há relação alguma entre as partes, que é precisamente o significado da expressão. Como qualquer expressão tem a sua origem, e esta me parece bastante plausível, gostaria que comentasse, avaliando a validade do meu raciocínio.
Vós e vos em extinção
Na região do Porto, onde resido, entre as camadas mais populares, é frequente as mães dizerem aos filhos: «estainde quietos», «inde depressa», «comeinde», etc. Também na liturgia católica o sacerdote se dirige aos fiéis, orando: «tomai e bebei todos...». Fora destes casos, porém, o uso da segunda pessoa do plural parece estar a cair em completo desuso. Posso ouvir com naturalidade a expressão: «Falem menos e façam mais». Todavia, o seu equivalente «Falai menos e fazei mais» é discurso estranho, que eu não colocaria na boca de ninguém com menos de 50 anos. Estará, efectivamente, a segunda pessoa do plural a desaparecer da língua portuguesa?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa