DÚVIDAS

«Teria de ter tido»: redundância?
Felicito-vos pelo site e pelo bom trabalho que prestam à língua portuguesa. Gostaria de saber se a expressão «teria de ter tido» está correcta. Exemplo: «Calculava a quantidade de trabalho que teria de ter tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio.» Presumo que «calculava a quantidade de trabalho que teria tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio» está correcto. Gostaria que me explicassem se «teria de ter tido» pode ser utilizada e se as expressões em causa exprimem ideias ou situações temporais diferentes. Muito obrigado.
O particípio passado do verbo abrir
Recentemente, tive dúvidas relativamente ao uso do(s) particípio(s) passado(s) do verbo abrir, pelo que consultei uma gramática da Porto Editora, na qual se dizia que os particípios regular e irregular — abrido e aberto — deviam ser usados, respectivamente, com os auxiliares ter/haver e ser/estar. No entanto, no vosso site, deparei-me com informação contrária. Segundo a dra. Conceição Saraiva, o verbo abrir tem apenas um particípio passado — aberto. O particípio passado abrido está, de facto, errado? Ou simplesmente está a cair em desuso? Obrigada!
Sigla, acrónimo, abreviatura, abreviação, redução
Encontro-me a fazer um estudo sobre o uso das siglas no vocabulário económico. A consulta das vossas respostas a questões associadas a este fenómeno linguístico e afins não solucionou as minhas dúvidas, uma vez que me pareceu que também aqui se confunde sigla com acrónimo e abreviatura com abreviação. Por exemplo, dá-se como exemplo de sigla ONU mas quando se fala em acrónimo dá-se o mesmo exemplo. Diz-se que abreviatura e abreviação são sinónimos, mas de facto o primeiro refere-se à redução de palavras na escrita e o segundo à sua redução na fala. Os linguistas falam ainda de redução como um fenómeno distinto de abreviatura e abreviação, na minha opinião a redução será um processo que designa os fenómenos de abreviação e abreviatura, mas que designará ainda outros processos de redução dadas as diferentes definições que recolhi. A par destes fenómenos surgem ainda a braquigrafia e o símbolo. A braquigrafia aparece definida como o termo que designa os fenómenos de abreviatura e de acrografia, sendo a acrografia definida como a grafia das letras iniciais de um termo complexo que formam em conjunto um nome próprio. No entanto, as siglas também formam nomes próprios a partir das iniciais de um dado conjunto de elementos. O símbolo, por seu lado, é atribuído à representação de uma noção por meio de letras, números, pictogramas ou da sua combinação. Há ainda quem diga tratar-se de um signo arbitrário como o símbolo usado para a indicação de parágrafo. Assim, poderemos considerar I&D (Investigação e Desenvolvimento)como uma sigla simbólica? E, pronunciando-se NASDAQ como uma palavra, poderíamos considerar NASDAQ 100 como um acrónimo simbólico? As minhas questões prendem-se sobretudo com as definições apresentadas no Dicionário de Termos Linguísticos (vol.2) das Edições Cosmos e a partir daí as que fui lendo em diversos artigos dedicados ao assunto. Gostaria de saber a vossa opinião sobre a distinção entre os termos sigla, acrónimo, abreviatura, abreviação, redução, braquigrafia, acografia e símbolo. Obrigada.
O verbo sentir-se como reflexivo
A propósito da consulta feita em 9/6/2010 e respondida pela professora Ana Martins, no que se refere aos exemplos dados e à análise feita das frases «O Zé sentiu-se o rei da bicharada», «O Zé sentiu-se insignificante», «As crianças sentiram-se mal», pergunto se não é admissível considerar o verbo sentir-se nesse caso como reflexivo. Nesse caso, teríamos um predicativo de objeto direto, representado pelo pronome se. O verbo sentir é essencialmente transitivo («Sentiu a presença do inimigo»). Assim, na frase «Luísa sentiu o marido desconfiado (sentiu-o)», desconfiado seria predicativo do objeto direto; na frase «Luísa sentiu-se desconfiada (sentiu-se a si própria)», ocorreria o mesmo. Peço ainda opinião sobre a seguinte frase: «Luísa sentiu o marido junto de si.» «Junto de si» poderia considerar-se predicativo do objeto direto? Obrigado.
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