DÚVIDAS

«O marido da embaixadora»
Hoje, durante uma aula, num exercício que pedia o feminino de embaixador, surgiram os vocábulos embaixatriz e embaixadora, os quais têm sido motivo de dúvidas esclarecidas neste espaço. Um aluno questionou-me: «Então como se chama o marido da embaixadora? Não pode ser embaixador, porque não ocupa o cargo!» Respondi que não sabia e, por isso, solicito (e agradeço desde já) a vossa preciosa ajuda.
Verificar(em-se) erros
"Nos textos, é necessário verificar os erros que contêm." Não é, esta frase, duplamente errónea? Não deveria ser, entre outras possibilidades sintacticamente correctas: "Nos textos, é necessário verificar-se que erros contêm", ou "Nos textos, é necessário verificarem-se os erros que contêm"? Ou seja, não tem que se usar "verificar" reflexivamente, se não se lhe define um sujeito? (Por exemplo, "é necessário verificarmos" seria aceitável, ainda que não neste contexto) E se se deseja que sejam verificados "erros", e não verificado algo colectivo ao seu respeito, não terá a forma do verbo "verificar" de estar no plural, para concordar? Ainda podemos juntar a isto a ligeira, mas possível, confusão que pode nascer de uma frase com "verificar" e "erros", simultaneamente: veja-se que pode dizer-se que, no texto, se verificam erros (porque os tem). Ora, se se verificam, porquê a necessidade de "os" verificar? Obrigado.
Verbo ir: verbo pleno e verbo auxiliar
Gostaria de um pequeno esclarecimento em relação ao verbo ir. Tenho visto alguns textos e poesias de onde é comum o uso do verbo ir + a preposição a + verbo no infinitivo, como na poesia de Rosa Clement abaixo. Porém tenho entendido que o uso dessa construção gramatical está incorreta no português e portanto a minha dúvida. Agradeço antecipadamente por vosso tempo e atenção. Na ribeira Na tarde ando sozinha pelo caminho do rio, para ver meu amor, e sigo sem nenhum pudor ao prazer dos meus pés descalços. Com perfume de açucenas, deixo o sol beijar minha pele morena e em fogo VOU A CANTAR uma canção de fêmea... E assim, perfumada e quente, chego pela mesma ladeira, e para ele na ribeira, livro meu corpo de censuras. E sem descansar do passeio, com o vento frio a beijar meus seios, fito seu rosto sentindo nas mornas águas os céus descendo....
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