Invernia = invernada
Quando me refiro à palavra invernia, algumas vezes corrigem-me sugerindo que use invernada.
Gostava de saber se posso continuar a usar a expressão «áreas tradicionais de invernia de grous...», por exemplo.
Grato.
O neologismo “kayaksurf”
Parabéns pelo vosso excelente trabalho! A dúvida que me traz à vossa página já vem de longe. Confrontado com estrangeirismos como o do desporto que pratico há anos – “kayaksurf” – caio habitualmente na dúvida sobre a forma como escrever este casamento entre o “kayak” e o “surf” (“surfe”?). Lembro-me que “bodyboard” ou “kitesurf” são igualmente "estrangeiros" e são sempre escritos como uma só palavra. Agora, quando entrevisto um inglês, escrevo "kayak surf" ou, eventualmente, "surf kayak". E em relação ao português? É que há quem escreva "kayaksurf" e também "kayak surf". E quanto aos praticantes... “kayaksurfistas”?
Agradecia a vossa ajuda! Bom trabalho!
Comentarista e comentarístico
Existe o substantivo comentarista.
As minhas perguntas são:
– Existe um adjetivo correspondente (não o encontrei em nenhum dicionário)?
– A existir, será comentarista, "comentarístico" ou outro?
«Tem fome de carninha tenra»
Na frase «Ó Óscar, solta o leão, que ele tem fome de carninha tenra», qual a função sintáctica do segmento «tem fome de carninha tenra»?
Antónimos de cobiça
Gostaria de saber os antônimos da palavra cobiça".
Colhedora e colheteira
No segmento em que trabalho, venda de máquinas agrícolas, usamos os seguintes termos para definir uma máquina automotriz que colhe: «colhedora de cana»/«colhedora de café»/«colhedora de algodão»/ «colheitadeira de cereais».
Quais os termos corretos, ou podemos usar todos independente do tipo do equipamento?
Obrigado.
Prova-modelo
"Prova modelo", ou "prova-modelo? Encontrei as duas formas escritas. Gostaria de saber qual delas é a correta e porquê.
Obrigada.
Verbos de perceção seguidos de verbos pronominais
Qual é a frase correta: «Ela nos viu queixar em público», ou «Ela nos viu queixarmo-nos em público»?
Obrigado.
A dissimilação regressiva por supressão
Gostaria de saber por que razão o -s desapareceu em «nós cumprimentamo-vos».
Abertura (18/04/1997)
«Aqui posso emprestaras palavras mais densas» O escritor guineense Carlos Lopes, no texto que escreveu para a Antologia de Ciberdúvidas, explica uma aparente contradição:«(...) Paradoxalmente é o português que me aproxima da minha dimensão africana, porque ele serve de alimento a uma outra língua - o kriol - que é a raiz da contemporaneidade guineense. (...) Em nenhuma outra língua, nem mesmo em kriol (devido à sua jovem normalização), me sinto tão à vontade. Aqui posso emprestar as palavras mais densas, os verbos mais aristocráticos, as sílabas mais estridentes, as expressões mais amargas, sem qualquer hesitação fonética. (...)»Este guineense, que também se exprime em espanhol, francês e inglês (além do italiano, alemão e grego), diz do nosso idioma comum o que muitos portugueses seriam incapazes de dizer. Apoucando-o, alguns disfarçam mesmo a falta de talento com a apologia das línguas mais diversas: uma porque permite transmitir melhor a oralidade, outra porque é mais adequada às letras das canções ou outra ainda porque tem uma gramática mais simples, todas, perante a nossa, só apresentam vantagens. Não é problema apenas de hoje, nem é complexo que se restrinja a Portugal.A Língua Portuguesa, felizmente, pertence também a mais seis países, e é de lá que muitas vezes nos vem, neste capítulo, o estímulo de que necessitamos.Daí o nosso esforço para alargar a participação de falantes de todos os países que utilizam o português como língua oficial. Na próxima reestruturação de Ciberdúvidas, procuraremos concretizar ainda mais esse empenho. Afinal, uma das melhores formas de responder aos que, com má-fé, como se pode verificar num texto hoje introduzido nas Controvérsias, procuram reduzir o nosso trabalho a um exercício de pedantismo.
