DÚVIDAS

Sobre um vocativo em soneto de Camões
Deparei-me recentemente com um soneto camoniano, cuja análise sintáctica me suscitou algumas dúvidas, designadamente o seguinte contexto: «Lembranças que lembrais meu bem passado para que sinta mais o mal presente, deixai-me (se quereis) viver contente não me deixeis morrer em tal estado.» Gostaria de saber qual a função sintáctica de «lembranças» (v.1). Julgo ser um vocativo, todavia a ausência de vírgula gera algumas dúvidas. A oração principal será «lembranças ... deixai-me viver contente». Pelo meio ficam a relativa e a final. O sujeito da principal só poderá ser um «vós» subentendido, nunca «lembranças», que assim apenas poderá ser um vocativo. Estarei correcta? Grata.
Ainda o plural de pêra
Acerca da grafia do plural de pêra (fruto), verifiquei que alguns dicionários o apresentam sem acento gráfico (peras), mas o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, e o Grande Dicionário da Lingua Portuguesa, de Morais, por exemplo, continuam a apresentá-la com acento circunflexo (pêras), como era, aliás, de tradição. As minhas perguntas: Qual foi a autoridade reguladora da língua portuguesa que determinou a eliminação do acento gráfico no plural em questão? Houve algum acordo ortográfico ultimamente que me tenha passado ao lado? Agradeço antecipadamente a atenção dispensada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa