Antítese: «nítido ainda, mas esfumado»
Qual é o valor expressivo do recurso presente na expressão «nítido ainda, mas esfumado»[1]?
[1 A expressão ocorre no conto "George", de Maria Judite de Carvalho (in Seta Despedida, Lisboa, Europa-América, 1995, pp-31-44).]
«Joana, come o iogurte»
A propósito de uma explicação dada a um cibernauta que vos enviou uma missiva –– "vírgula entre o sujeito e o predicado" ––, gostaria de proceder à análise sintáctica da frase que se segue: Joana, come o iogurte. Nesta frase, qual é o sujeito? É inexistente, como alguns defendem? Ou é ele próprio o sujeito, como foi dito na explicação supracitada? Já agora, porque é que a maior parte dos gramáticos mistura, nos exercícios de análise sintáctica, o verbo com o sujeito, os complementos...? O verbo é uma função sintáctica? Ou será por influência das análises generativas?
A expressão «primo carnal»
Ouvi recentemente a expressão «primo carnal» como sinónima de «primo direito». Está correcta?
Não consegui encontrar a expressão dicionarizada (Porto Editora e Priberam) e, quanto à palavra carnal, esta só no sentido de consanguinidade poderia estar relacionada com o assunto de primos (não me parecendo que seja compatível com «primo direito»). Poderá ser regionalismo?
Obrigado.
Alectuar
Agradeço o favor de me esclarecerem se a palavra alectuar, com o significado de deitar no leito (ou na cama), existe ou não.
Melhores cumprimentos.
«Fazer-se pagar» e «fazer-se cobrar»
Tenho encontrado o verbo pagar associado a fazer-se com um sintagma nominal introduzido directamente (i. e. sem preposição):
1. «Dessa vaga de anulações têm estado a beneficiar os artistas da "segunda divisão" mais temerários, que têm vindo a substituí-los no circuito maior, fazendo-se pagar, em média, o dobro dos seus honorários normais.»
2. «E aqueles deputados que foram apanhados a roubar (fazendo-se pagar viagens que não fizeram)(...)»
Não deveríamos usar aqui a preposição por («fazer-se pagar por viagens…/pelo dobro…»)?
Julgo que deveríamos usar por em vez de de nas frases que se seguem (não?):
3. «Seis das oficinas, além de substituírem peças a mais, fizeram-se pagar de componentes não substituídos.»
4. «(…) a autarquia pretendia fazer-se pagar de um serviço anterior à privatização da recolha de lixos.»
E tenho deparado com o uso de «fazer-se cobrar» no sentido de «fazer-se pagar»:
5. «Há lojas que o fazem gratuitamente, enquanto outras se fazem cobrar pela prestação destes serviços suplementares.»
Creio que «fazer-se cobrar» é inaceitável, mas queria confirmar.
Grato pela atenção.
Língua Gestual Portuguesa
Como tema da minha Prova de Aptidão Profissional escolhi a Língua Gestual Portuguesa. Mas com o evoluir das minhas pesquisas apercebi-me de como há falta de informação sobre este tema, tanto a nível de livros (disponíveis nas bibliotecas municipais e livrarias) como também na própria Internet. A minha dúvida era se posso ter uma informação fiável e completa sobre este tema em alguma bibliografia.
«A todos os níveis»
Sei que não devemos dizer «ao nível de» quando pretendemos empregar o sentido de «no âmbito de».
Mas é correto dizer «A crise fez com que Portugal se atrasasse a todos os níveis»?
Entretenimento
Redigindo um comentário crítico acerca de um filme, me veio a dúvida: da mesma forma que «aquilo que instrui» é dito «instrutivo», como poderei referir-me a algo que «entretém»?
Concordância com «os mais prudentes de nós»
Qual é a concordância correta na frase a seguir? «Os mais prudentes de nós não escreveram (escrevemos) nada sobre o assunto.» Verifica-se que a frase é semelhante a esta: «Muitos de nós não escrevemos nada sobre o assunto», em que a concordância se faz na primeira pessoa do plural. Obrigado.
Acerca do verbo devastar
Agradeço esclarecimento quanto à existência em português do verbo devastar e seus derivados — devastado —, que vejo ser utilizado verbalmente (e não só). Ou é apenas mais um anglo-saxonismo («I´m devastated!»)?
Adicionalmente, e caso ainda não faça parte do léxico português, quais os termos que podem ser usados em sua substituição? Dizimar, arrasar... são os que ocorrem neste momento.
Obrigado.
