Vice-Presidente / vice-presidente
Sou tradutora e agradecia que me fizessem o favor de esclarecer a seguinte dúvida: o termo "vice-presidente" escrito com maiúsculas fica "Vice-Presidente" ou "Vice-presidente"? Muito obrigada.
Maiúsculas e minúsculas em épocas históricas,
movimentos culturais e estilos artísticos
movimentos culturais e estilos artísticos
Pese embora os muitos esclarecimentos já prestados pelo Ciberdúvidas a propósitco do uso de maiúsculas, persisto com dúvidas no que respeita à aplicação delas para épocas históricas, movimentos culturais e estilos artísticos. Assim, a propósito do universo greco-romano antigo ou clássico, as palavras "antiguidade clássica", "cultura antiga" e "neoclassicismo" devem ou não ser iniciadas com maiúscula?
Muito agradeço a V. informação!
Chamar com regência
Como autor da resposta dada ao espectador, cujo texto a seguir transcrevo — e como interessado no correcto uso da nossa língua —, podem esclarecer-me sobre os comentários do espectador, ou seja, ele está totalmente correcto, ou também merece ser corrigido?
Grato pela atenção.
1. «Caro Sr. Miguel Fernandes,
[...] Permita-nos apenas referir que é correcto utilizar «chamar de» (exemplos: «Ele é chamado de intelectual/Ele chamou-me de mentiroso»). O verbo chamar, com o significado de qualificar, dar nome, pode ser regido pela preposição de.
Bruno Costa
Assistente de Relações Públicas»
2. «A preposição de pode de facto ser usada a seguir ao verbo chamar, tal como pode ser usada a seguir a qualquer outro verbo. A questão é a função sintáctica dessa preposição; a forma como afecta o significado da frase.
Está obviamente correcto dizer «ele chamou-o de muito longe», «ela chamou-me de repente» ou «eu chamei-te de novo». A preposição de indica que o bloco seguinte é um complemento circunstancial (de lugar, modo, etc.), que qualifica a acção descrita (e não o objecto chamado).
Ora, no caso «ele chamou-me de mentiroso», «mentiroso» não é um modo nem um lugar nem qualquer outra entidade que qualifique uma circunstância. O de (que indicaria isso mesmo) está lá a mais. A forma correcta é «ele chamou-me [nome]». Ele chamou-me Carlos, ela chamou-lhe filho, eu chamei-lhes parvos.
Suspeito que os exemplos referidos não sejam acidentais. Arrisco dizer que foram copiados do site Ciberdúvidas, no qual infelizmente se dão frequentes pontapés na língua portuguesa (às vezes em direcções contraditórias, sem qualquer espécie de referência para além da opinião pessoal dos autores), e há uma certa tendência para ignorar o facto de certas construções linguísticas, correctas em determinadas circunstâncias, estarem incorrectas noutras. A utilização da preposição de a seguir a um verbo (qualquer verbo) é uma delas.
O verbo chamar não tem propriedades especiais (pelo menos nenhuma que não seja partilhada por diversos outros verbos). Estas expressões estão correctas:
«Eu dei-lhe trabalho.»
«Eu deixei-a cansada.»
«Ele chamou-me analfabeto.»
Já estas não estão:
«Eu dei-lhe de trabalho.»
«Eu deixei-a de cansada.»
«Ele chamou-me de analfabeto.»
O que não significa que não seja perfeitamente correcto utilizar a preposição de a seguir aos mesmoS verbos, quando se quer dizer algo diferente:
«Eu dei-lhe de comer.»
«Eu deixei-a de repente.»
«Ele chamou-me de dentro de casa.»
Já agora, as coisas também não se devem «qualificar de», devem «qualificar-se como». Assim como não se devem «descrever de», devem «descrever-se como» (e «classificar-se como», etc.).
A preposição de é muitas vezes usada para "safar" frases quando o autor não conhece a forma mais correcta ou se enganou no início da construção. Por exemplo, se alguém quer dizer «ele chamou-lhe pai» mas se engana e começa por «ele chamou-o...», a seguir resta-lhe enfiar ali um de para afrase parecer menos estranha. Esta situação é agravada pelo facto de, no Português do Brasil (que muitos portugueses consomem através das telenovelas), praticamente não se utilizar a conjugação dos verbos com -lhe, substituindo-a (incorrectamente, do ponto de vista europeu) por -o, -a, ele ou ela. E, mais uma vez, usa-se o de para disfarçar o erro (ex., «ela chamou-lhe pai» -> «ela chamou [-o / ele] de pai»).
Esta capacidade do de de servir como «preposição universal» ou «serviço de desempanagem sintáctica» pode ser considerada útil («chamou-o de pai» é menos horrível que «chamou-o pai»), mas isso não significa que esteja correcta, nem que a sua utilização não influencie o significado da frase.
Afinal, existe uma diferença entre alguém chamar-me «de Avô» (isto é, chamar-me a partir da freguesia de Avô, em Oliveira do Hospital) ou chamar-me «Avô» (isto é, referir-se a mim — ou qualificar-me — como avô).
Ou, para usar um exemplo menos peculiar, existe uma diferença entre alguém «chamar-me de baixo» (isto é, chamar-me a partir de um sítio que fica mais abaixo) e «chamar-me baixo» (qualificar-me como baixo). A preposição de não «rege o verbo chamar» quando este é «utilizado com o sentido dequalificar». Antes pelo contrário; indica que o que se segue descreve a circunstância em que se chamou, e não o nome que se chamou.
Uma consulta a textos de autores portugueses (Eça, Camilo, Saramago, etc.) revelará uma total ausência de “chamar des”. O Eça era realmente chamado de Queiroz... porque o "de" fazia parte do nome.
Miguel Fernandes
Lisboa
Portugal»
Sobre morfemas flexionais e derivacionais
Tenho duas dúvidas que se me pudessem esclarecer, eu agradecia:
1. Os morfemas derivacionais podem alterar a classe gramatical da palavra a que se unem?
2. O português tem menos morfemas flexionais do que morfemas derivacionais?
O monossílabo Deus
A palavra Deus é monossilábica (que tem uma só sílaba), ou dissilábica (que tem duas sílabas)? A mim parece-me que só tem uma única, mas Santo Agostinho de Hipona diz que tem duas sílabas (Tratados sobre a Primeira Epístola de São João, Trat. 4, n.º 6: «Et quod dicimus Deus, quid diximus? Duae istae syllabae sunt totum quod exspectamus?»
Gostaria de saber quem tem razão, até porque em latim pode ser dissilábica e em português monossilábica.
Obrigado.
Bahia e baía: porquê?
Qual a razão por que se escreve Bahia com h?
Existem 3 ou 4 conjugações?
Afinal existem 3 ou 4 conjugações? Sempre ouvi falar nos verbos da 1.ª, 2.ª e 3.ª conjugações, mas agora alguém afirma que existe a 4.ª conjugação!! Estou baralhada!
Casos de colocação do pronome em locuções verbais
Tenho diversas dúvidas sobre a nossa língua que gostaria de ver esclarecidas. Como me surgiram na prática, remeto as frases em concreto em que as dúvidas se colocaram, pedindo que assinalem qual a hipótese correta e, se possível, qual a regra aplicável:
1. «Tenho que lhe dar um livro.»/«Tenho que dar-lhe um livro.»
2. «Vou-lhe perguntar.»/«Vou perguntar-lhe.»
3. «Despacha-te para nos ires buscar.»/«Despacha-te para ires buscar-nos.»
Que / qual
Sou uma estudante de Lisboa e, por vezes, ao fazer alguns trabalhos, há um problema que se me põe: deverei escrever, a título de exemplo, «qual a deontologia para a Internet» ou «que deontologia para a Internet»? Queria também dar os meus parabéns para um dos sítios mais úteis que a Internet alguma vez teve.
Sufixos: -íssimo/-érrimo
Eu sou um mero consulente cujos interesses pela própria língua são enormíssimos. Os sufixos -íssimo e -érrimo têm exactamente o mesmo significado? Tenho-os utilizado no sentido de: muito para -íssimo, como belíssimo = muito belo, e extremamente para -érrimo, como sujérrimo = extremamente sujo, mas infelizmente esta última forma raramente se encontra nas gramáticas. Qual é o termo correcto? Muito obrigado.
