DÚVIDAS

Outra vez haver, «existir», numa perífrase de futuro («ir haver»)
Costumo ouvir o programa Jogo da Língua, na Antena 1 [RTP, Portugal], e num concurso da minha escola, formulei num jogo uma pergunta que ouvi nesse programa, que foi a seguinte: «Como se diz? "Sabes que feriados vão haver?", ou "Sabes que feriados vai haver?"?» Lembro-me de que a resposta correcta dada na Antena 1 foi a segunda opção. Agora, alguns colegas de Língua Portuguesa disseram-me que a pergunta está mal formulada e que não é nem uma opção nem outra. Como sou professora de Matemática e não me lembro da explicação da professora Sandra Duarte, nesse dia na rádio, gostava de ficar esclarecida e perceber a razão de ser a segunda opção a correcta. Ou talvez tivesse ouvido mal. Obrigada.
A sintaxe do verbo favorecer
Primeiro agradeço pelas várias vezes em que fui atendido, em minhas dúvidas, pelo Ciberdúvidas. Minha dúvida é a respeito da construção de uma frase que, aos meus ouvidos, não pareceu muito apropriada: «Professor, para favorecer que os alunos construam uma história pessoal de leitura...» Esse «para favorecer que os alunos» me pareceu agramatical, pois entendo que favorece-se alguém ou alguma coisa (inclusive procurei a construção em www.corpusdoportugues.org e não encontrei nada semelhante), de modo que, para mim, a construção adequada seria: «para favorecer os alunos a que construam (a construir) uma história...» Estou certo, ou a outra construção é possível? Muito obrigado.
O uso do pretérito perfeito composto (em relatos de futebol)
É muito normal ouvir um tempo verbal que me deixa sérias dúvidas. Frequentemente em relatos de futebol (mas o "fenómeno" tem vindo a espalhar-se...), ouve-se «se ele tem acertado», «se ele tem passado», etc., em vez do que me parece mais correcto «se ele acertasse», «se ele passasse» ou ainda «se tivesse acertado» ou «se tivesse passado». Pois sempre tive a ideia de que dizer «se tem passado» implica uma ideia de continuidade no tempo. É correcto usar «se o jogador tem acertado na baliza» (sem existir a tal noção de continuidade em vez de «se o jogador tivesse acertado» ou «se o jogador acertasse» (naquele preciso momento)? Obrigado!
O uso de tempos compostos em detrimento de tempos simples
Relativamente aos tempos compostos, tenho verificado que as gramáticas são pouco explícitas no atinente ao uso dos tempos compostos, pois não especificam as razões para se utilizar preferencialmente um determinado tempo composto em detrimento de um tempo simples, por exemplo. Gostaria, pois, de saber quais são as regras (se existem) que estão subjacentes à utilização dos tempos compostos, isto é, devemos usar preferencialmente o tempo composto ou o tempo simples de um determinado verbo e em que circunstâncias. Será o tempo composto uma marca da oralidade? Há questões que, a meu ver, têm de ser esclarecidas junto dos alunos para que percebam claramente a diferença entre as várias formas verbais e as suas regras, para as utilizar e aplicar adequadamente depois.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa