DÚVIDAS

Advérbio de negação: o regionalismo "num"
Sou minhoto. Acontece que, normalmente, no registo oral, pronuncio não como "num". Por vezes, dou comigo a dizer: "Num sei", "Num vi", "Num me disseram nada", entre outros casos. Gostaria de saber mais sobre esta diferença entre as duas maneiras de dizer. No entanto, não encontrei "num" no dicionário nem nenhum artigo na Internet que tocasse, precisamente, o que vos descrevo. Está registada? É aceitável ou "mau português"? Foi já abordada por algum entendido na matéria? Há outras variações noutras zonas do país? Aguardo, se possível, uma resposta complexa e pormenorizada que satisfaça esta curiosidade. Obrigado.
«Tarte de noz» e «tarte de nozes»
Tenho vindo a notar que em muitas embalagens e placas informativas, principalmente no ramo da alimentação, têm vindo a usar muito o singular das palavras, como por exemplo: «tarte de noz.». Esta seria talvez, confecionada com mais do que apenas uma noz. Qual seria o mais correto: «tarte de noz» ou tarte de nozes» ou «tarte com aroma a noz»? Porque temos uma outra situação relacionada com os sabores e aromas. Normalmente dizemos: «bolo de laranja», «bolo de maçã», «bolo de banana», e por aí além, mas existe alguma regra no que diz respeito às quantidades, para definir se o nome é no singular ou no plural? Obrigado.
Origens do uso de lusitano, «português»
O melhor dicionário português (Houaiss) data a palavra lusitano de 1572. A primeira utilização registada dessa palavra seria então no verso «Que da ocidental praia lusitana» na obra de Luís Vaz de Camões, publicada em 1572. Esta datação parece-me, no entanto, inverosímil; e a palavra é certamente muito mais antiga que 1572. Em 1587, na segunda edição das Chronicles of England, Scotland, and Ireland de Raphael Holinshed surgem o adjetivo Lusitan («the Lusitan ships») e o substantivo Lusitan («to recouer so much of the Lusitans»). [...] A segunda edição das Chronicles não surge muito depois dos Lusíadas, e é improvável que uma palavra erudita criada em 1572 em Portugal surgisse como adjetivo e substantivo numa publicação inglesa pouco tempo depois.[..] Eu partia do princípio que a palavra lusitano tinha surgido na língua portuguesa ainda que não pelo pena de Luís Vaz, e que daí migrara para outras línguas incluindo Lusitan e depois Lusitanian em inglês, lusitains e depois lusitanien em francês, e noutras línguas. Mas será necessariamente assim? Será possível que a dita palavra tenha surgido de forma erudita noutra língua europeia e migrado para a língua portuguesa? Que opinam? Obrigado-
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa