Teresa Álvares - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Teresa Álvares
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Teresa Álvares (1946-2009), era licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, antiga professora de Língua Portuguesa e Francês.

 
Textos publicados pela autora

Cibernota - A escolha dos manuais escolares é, ao que sei, da responsabilidade da escola. Talvez o Instituto de Inovação Educacional lhe saiba responder com mais precisão.

ISO é a redução de International Organization for Standardization. Como o nome indica, é o organismo internacional para a normalização, no âmbito dos sistemas de qualidade.
Estabelece normas para a qualidade de produtos (bens e serviços) que os Estados depois traduzem em normas nacionais. O Instituto Português da Qualidade é que tem essa competência em Portugal.

N.E. - Para o acerto desta resposta muito agradecemos o contributo do consulente Hugo Vale, de Paris, que nos esclareceu o seguinte: «O nome da organização é International Organization for Standardization, o que claramente não origina ISO. A razão desta escolha é bem mais linguística e encontra-se explicada no sítio da própria organização:
"What ISO's name means
Because "International Organization for Standardization" would have different abbreviations in different languages ("IOS" in English, "OIN" in French for Organisation internationale de normalisation), it was decided at the outset to use a word derived from the Greek isos, meaning "equal".
Therefore, whatever the country, whatever the language, the short form of the organization's name is always ISO."»

 

Pois... Ao meu ouvido transmontano também causa estranheza a vogal tónica aberta em poça [/póça/], ou a pronúncia do i da primeira sílaba da palavra ministro que na minha região se diz [/menistro/]. Mas por muito que me custe, tenho de aceitar as diferenças e olhar a diversidade como enriquecimento da Língua.
Numa coisa lhe dou inteira razão, se bem interpreto o seu comentário: existe hoje uma tendência tremenda para abrir indiscriminadamente os ós tónicos no plural de palavras como acordo, aborto, transtorno, pescoço, rosto, etc.
E não é o "Zé Maria Pincel" que o faz. Ouvi o então Presidente da República Portuguesa Ramalho Eanes dizer "/abórtos/", e o actual Presidente Jorge Sampaio diz sempre "/acórdos/". Então, sim, é que me doem os tímpanos!

 

Ora aqui está uma palavra nova, bonita e bem formada. Decompondo-a [a-luso-fon(o)-ar], verifica-se que os seus elementos se ajustam ao sentido que o seu autor lhe quis dar:
a – prefixo, proveniente do latim (ad), que significa aproximação;
luso – adje(c)tivo, sinó[ô]nimo de português;
fono – substantivo proveniente do Latim, com o significado de som, voz, idioma;
ar – desinência verbal da 1.ª conjugação.
Deixe-me felicitá-lo pela criatividade e pela corre(c)ção da "criatura".

1 – Confesso que não me incomoda particularmente o uso de "vigia" por vigília...

Ao fim e ao cabo, vigia é o substantivo formado por derivação pós-verbal do verbo vigiar, ou seja, exercer vigilância, fiscalizar, guardar, estar de sentinela – sentidos adequados ao contexto. Já o "não demovem da luta" é que não pode ser. O verbo demover é transitivo directo, o que significa que deve ser acompanhado do "objecto demovido". No caso vertente, são os operários que não se demovem (a si próprios) da luta. Aqui, nem o estilo nem a gramática se salva!

2 – O termo usado na expressão latina é mesmo “solitudinem” (devastação, desolação).

Terá o autor do artigo substituído propositadamente "solitudinem" por "silentium"? Não o li, não lhe sei responder.