José Neves Henriques - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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José Neves Henriques
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José Neves Henriques (1916 - 2008), professor de Português; consultor e membro do Conselho Consultivo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Antigo professor do Colégio Militar, de Lisboa; foi membro do Conselho Científico e diretor do boletim da Sociedade da Língua Portuguesa; licenciado, com tese, em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa; foi autor de várias obras de referência, entre as quais Comunicação e Língua Portuguesa e A Regra, a Língua e a Norma (Básica Editora).

 
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Vendo-se uma qualquer telenovela brasileira, do lado de cá do Atlântico, sente-se logo a diferença na fala dos atores: a) a abertura das vogais átonas pretónicas (màrido, pàrece); b) a pronúncia do e final dos...

Para além do que já  foi respondido anteriormente sobre a queda dos chamados acentos desambiguadores – vide, em baixo, os Textos Relacionados –, convém lembrar mais alguns exemplos de palavras homógrafas a partir da reforma ortográfica de 1945, cuja distinção de pronúncia (pelo contexto) não oferece hoje qualquer margem de confusão:

. acordo («acordo sempre às seis da manhã»/«Acordo Ortográfico»)
. bola («bola de carne»/«bola de futebol»)
. corte («corte de cabelo»/«corte de apaniguados»)
. molho («molho de comida»/«molho de brócolos»)
. sede («sede partidária»/«tenho muita sede»)
. segredo («segredo fechado a sete chaves»/«segredo-te ao ouvido»)


Textos Relacionados:

Pára, para

Pára, para novamente

Para vs. pára no novo acordo ortográfico

O superlativo absoluto sintético de feio só pode ser feiíssimo (fei-íssimo), porque o positivo é fei-o e não fe-o.

Frase 1

Frase correcta:

«Metade do bolo estava estragada.»
O sujeito desta frase não é o bolo, mas a metade do bolo.
O que estava estragado não era todo o bolo, mas apenas metade.
Se antecedermos o substantivo metade do respectivo artigo definido, teremos a frase:
A metade do bolo estava estragada, e não estragado.

Frase 2

O sujeito é «Mais de metade dos portugueses».
Esta expressão é claramente um colectivo. Por isso, o mais claro é empregarmos o verbo no plural – pelo menos é o que me parece:
«Mais de metade dos portugueses votaram.»
Como vemos, o sujeito é um plural, por isso o verbo vai para o plural: votaram.

Frase 3

A parte principal do sujeito é «um quinto», número singular. Portanto, é preferível o verbo ir também para o singular:
«Um quinto das mulheres portugueses fuma
Suponhamos que dizíamos a frase começando por «das mulheres»:
«Das mulheres portuguesas um quinto fuma».
Aqui, ainda é mais evidente a forma verbal fuma, porque está mais em evidência a parte principal do sujeito: um quinto.

Rodrigo de Sá Nogueira é que sabia por que razão respondeu assim, erradamente.

Em ao («ao nível de»), temos a contracção da preposição a com o artigo definido o:

a + oao.

Em no («no nível de»), temos a contracção da preposição em com o artigo definido o: em + ono.

Em «ao nível de», temos igualmente uma expressão correcta no caso em questão. Vou apresentar-lhe exemplos extraídos de vários dicionários:

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – António Houaiss, Mário de Salles Villar e Francisco Manuel de Melo Franco:

1) ao nível de: à altura de, no mesmo plano que.

Pequena Enciclopédia Melhoramentos (Brasil) – Vários autores:

2) Cruzamento de uma ferrovia com uma rodovia ao nível do seu leito.

Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalha – Editora Nova Fronteira:

3) A sala do professor Mânli...