Pergunta:
Meu questionamento é sobre como serão elencadas as palavras que perderão as consoantes mudas no caso de haver diferenças entre Portugal e Brasil.
Vi uma nota na pergunta: Novo acordo, marcação de erros ortográficos afirmando que no novo acordo se escreveria respetivas.
Contudo respectivas em PB não possui c mudo.
Em outras respostas do Ciberdúvidas também percebi consoantes que não são mudas no Brasil sumindo.
Em PE, o c não é pronunciado em respectivas?
Ponho-me a pensar onde mais teríamos consoantes mudas em PE e não em PB. Ex.: Obsoleto, perspectiva, etc.
Resposta:
Podem verificar-se três situações:
a) A consoante é pronunciada em Portugal e no Brasil.
b) A consoante é invariavelmente muda.
c) A consoante é pronunciada só num dos países.
A solução encontrada no novo acordo foi a seguinte:
a) A consoante mantém-se (ex.: pacto).
b) A consoante suprime-se sempre (ex.: respetivas)
c) O novo acordo aceita a dupla grafia, considerando que qualquer uma delas é legítima no universo da língua.
Pode-se aconselhar a mais recomendada para uma determinada comunidade linguística, mas não se pode recusar a alternativa como errada. Exemplo: é recomendável a palavra facto, em Portugal, para o conceito: «o que aconteceu efectivamente, verdade», porque fato, neste país, significa o vosso terno: «casaco e calça do mesmo tecido». No entanto, se um aluno brasileiro escrever em Portugal fato para o mesmo conceito de facto num dado contexto, a palavra não se pode considerar errada em Portugal, segundo o novo acordo.
Idem para o Brasil, por exemplo, em conceção, no Brasil concepção. De onde se tira a seguinte conclusão: se a grafia concepção é legítima no universo da língua, ninguém me pode proibir de a escrever em Portugal como já a escrevia antes do novo acordo.
Em resumo, é perfeitamente possível, numa publicação com vários autores, as palavras de dupla grafia autorizada aparecerem diferentemente grafadas de autor para autor. Este problema tem sido motivo para sérias censuras ao novo acordo, mas é preciso lembrar que isso já acontecia nas múltip...