D´Silvas Filho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
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D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor, entre outros livros, do Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

Pergunta:

Deve escrever-se "nucleósido" ou "nucleosídeo"?

Na Internet aparecem os dois termos. No dicionário médico da CLIMEPSI Editores aparece "nucleósido".

No IATE (Base de dados da Comunidade Europeia) aparece "nucleósido".

Podem esclarecer-me?

Obrigada.

Resposta:

A Academia Brasileira de Letras não distingue nucleósido de nucleosido para o substantivo que significa esse composto orgânico.

Atendendo à formação da palavra (nucleose + -ido), a pronúncia natural é proparoxítona.

O adje{#c|}tivo é representado por necleosídio, e isso justifica talvez no uso a pronúncia "nucleosido".

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: adjetivo

Para o Brasil: Sem alteração

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na escrita.

Ao seu dispor,

Pergunta:

Aprecio muito o Ciberdúvidas!

Pergunto se, dada a instabilidade da matéria, será lícito avançar-se com grafias que remetem para um acordo ortográfico que não tem (ainda que se atente tão-somente à sua implantação legal) pernas para andar? Como é patente em certas respostas do Ciberdúvidas...

Não será aqui o caso de se querer dar um passo maior que a perna?

Qual é então o intuito?

Resposta:

Muito obrigado pela sua apreciação sobre o nosso trabalho.

Respondo ponto por ponto às suas questões:

Não há instabilidade quanto ao facto de Portugal poder ou não aprovar o novo acordo. Já tinha sido aprovado em tempo, e o Protocolo Modificativo foi agora referendado quase por unanimidade pelo Parlamento e promulgado pelo nosso Presidente da República. É só uma questão de tempo, para o novo acordo entrar em vigor. Estabeleceu-se 6 anos, mas penso que esta demora será insustentável, com grave prejuízo para Portugal, dado que o Brasil irá fazer grande pressão na lusofonia rapidamente (começam em força em 2009, após concluído o monumental Vocabulário que a Academia Brasileira de Letras tem em curso).

Em Ciberdúvidas não se avança indevidamente com a nova ortografia. Continuamos a escrever na norma em vigor. Recomendo sempre que não se façam misturas e que só se escreva no novo acordo em textos didácticos, como experiência, assim perfeitamente identificados.

Nas suas observações está implícita uma crítica ao processo que uso de, no fim das minhas respostas, indicar quais os termos que mudam no novo acordo. Essas notas destinam-se unicamente às pessoas que têm interesse em saber o que é que muda num texto corrente. Como respondo em obediência à norma que nos rege, só vê os novos vocábulos quem quer.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: didáticos.

Para o Brasil: Sem alteração

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na escrita.

Ao seu dispor,

Pergunta:

Gostaria de saber qual a forma correcta: "serótipo", ou "serotipo"? A primeira parece-me mais correcta por analogia com fenótipo e com genótipo.

Obrigado.

Resposta:

As palavras com o pospositivo -tipo têm tendência para alternar: entre a pronúncia culta proparoxítona (na origem a sílaba hoje “ti” era breve) e a pronúncia de uso paroxítona. Como já tenho dito, penso que será uma questão psicológica: no uso da língua é mais lógico considerar-se que se trata de um “tipo” de qualquer coisa; por isso, acentua-se esse facto com a tónica no pospositivo, sem se considerar as recomendações que os vernaculistas fazem, de que se respeite a história das palavras.

Assim, tem sido, por exemplo, em linótipo/linotipo, logótipo/logotipo, biótipo/biotipo.

Se deseja seguir as regras tradicionais, deve escrever serótipo. Sublinho, porém, que em biologia já aparece a grafia serotipo (serovariedade de microrganismos).

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal e Brasil: Sem alteração

Ao seu dispor,

Pergunta:

Quais são os verdadeiros prefixos da língua portuguesa e por que são assim considerados, diferentemente de pseudoprefixos, falsos prefixos ou elementos prefixados? Por exemplo: inter é um prefixo, ou um pseudoprefixo? Por quê? O documento básico do Acordo Ortográfico de 1990 considera-o ora de uma maneira, ora de outra.

Resposta:

Inter-

Está atestado como prefixo no Vocabulário de Rebelo Gonçalves e no moderno Dicionário Houaiss.

Prefixos

A Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, e a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, apresentam vastas listas de prefixos de origem grega e latina.

Pseudoprefixos

De acordo com a primeira obra acima citada, «certos radicais latinos e gregos adquiriram sentido especial». Exemplos: Auto- (próprio, de si mesmo) passou à forma abreviada de automóvel e figura em auto-estrada, autódromo, etc.; o mesmo se passa com electro (âmbar), que passou à abreviatura de electricidade e figura em termos com ela relacionados.

Celso Cunha cita mais os seguintes: aero-, agro-, arqui-, astro-, bio-, cine-, demo-.

A professora Margarita Correia tem um trabalho em que estuda o pseudoprefixo euro-, abreviatura de Europa, que figura em termos como eurodeputado, eurodólar, euromercado. Acrescento o recente Eurolândia.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: eletro, eletricidade, autoest...

Pergunta:

O Acordo Ortográfico menciona como exemplos, no item 4.º, Base X, da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas com I e U, as palavras cheiinha e saiinha como palavras que não levarão mais acento. Perguntas:

a) essas palavras tinham acento?

b) no Brasil não consegui encontrar ocorrências com acento; em Portugal usava-se o acento, grafando-se "cheiínha", "saiínha"?

c) no Brasil, a regra antes do Acordo (ver Celso Cunha e Lindley Cintra, p. 71) dizia que se esse I ou U tônico, sozinho na sílaba, fosse seguido de nh, não deveria ser acentuado. Não é o caso de "cheiínha" e "saiínha"?

Agradeço sua atenção.

Resposta:

A norma que dispensa acento no i em cheiinha, saiinha (por estar seguido de nh) é a mesma que anteriormente, quer em Portugal, quer no Brasil.

Repare que o que está escrito no texto do novo acordo é simplesmente: «não levam acento», diferentemente do seu: «não levam mais acento». Aceita-se, na expressão do novo acordo, que está nela possível a ideia de que não houve mudança, como em muitos casos do novo acordo, em que se estabelece a norma, sem referência ao passado.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: Sem alteração

Para o Brasil: ideia

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na escrita.

Ao seu dispor,