D´Silvas Filho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
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D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor, entre outros livros, do Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

Pergunta:

Existe alguma regra geral para a acentuação de conjugações de verbos reflexos que se tornam palavras esdrúxulas? É correcto escrever "apanhava-se", ou "apanháva-se"? Na primeira pessoa do plural, creio que se conjugaria, por exemplo, "apanhávamo-lo", daí a minha dúvida.

Obrigado.

Resposta:

As palavras compostas podem ser foneticamente esdrúxulas, caso, por exemplo, de apanhava-se, mas a posição da sílaba tónica é avaliada independentemente em cada palavra. Assim, apanhava é uma palavra grave e, porque termina em a, não tem acento gráfico.

Já em apanhávamo-lo, a palavra apanhávamos é esdrúxula, logo acentuada segundo as regras.

Quanto às palavras graves com terminação a, é especial o caso das formações verbais de pretérito perfeito do indicativo do tipo amámos, louvámos (amámo-lo, louvámo-lo), que em Portugal têm sido acentuadas para não se confundir com as formas do presente: amamos, louvamos. No Brasil não existe este acento, e no novo acordo será opcional.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: sem alteração.
Para o Brasil: sem alteração.

Ao seu dispor,

Pergunta:

Ao que parece, a base XVI do Acordo Ortográfico de 1990 não é suficientemente explícita no que respeita ao uso do hífen em palavras formadas com o prefixo sub-. Como será a grafia, à luz deste acordo, das palavras sub + bacia e sub + reino? Será esta uma futura controvérsia?

Resposta:

Sub-bacia

Não encontrei referência ao termo na bibliografia que possuo. Nem no completo Vocabulário da Academia Brasileira de Letras (350 000 verbetes).

O novo AO indica que, nas palavras compostas hifenizadas, quando o primeiro elemento termina na mesma vogal em que começa o segundo, é obrigatório o hífen (ex.: micro-onda, embora haja quem hoje grafe microonda). Neste espírito, extensivo às consoantes, penso que no novo AO se grafará sub-bacia (pois não me parece que sejam admissíveis as grafias *subbacia, nem *subacia).

A norma actual, Base XXIX, regista sub-bibliotecário, grafia que vem proposta também no dicionário da Porto Editora, 2009, já adaptado ao novo AO. A decisão da editora confirma este meu raciocínio para sub-bacia.

Sub-reino

O portal MorDebe[1] indica que no novo AO se passa a escrever subreino. Ora esta recomendação contraria o espírito implícito nas recomendações do novo AO. Houve a preocupação de, na nova norma, não ir contra a ortoépia/ortoepia das palavras (ex.: pan-africano, e não ¦pana¦; mal-estar, e não ¦male¦; hiper-requintado, e não ¦perrequin¦).

É verdade que o som velar [R] de um r simples pode ocorrer no interior das palavras quando inicial de sílaba, depois de consoante (ex.: pilriteiro,

Pergunta:

A menção «Made in...» é legalmente válida (está conforme) num rótulo de um produto à venda no mercado nacional, ou deverá estar traduzida para «Fabricado em...»?

Resposta:

Em Portugal, num produto para uso exclusivo no país e destinado a portugueses, deve escrever-se: «Fabricado em Portugal».

Sublinhamos, porém, que o mercantilismo já é global. Muitos produtos têm utilização no mundo inteiro; por exemplo, o «Made in China» é agora frequente por todo o Planeta, nesta avassaladora conquista mundial dos produtos chineses, mais económicos (alguns imitados…).

Ora nós devemos proteger a língua, mas não ser fundamentalistas; e lembrar, quer nos custe a aceitar quer não, que:

a) O inglês é hoje a língua franca universal.

b) Até as criancinhas aprendem hoje inglês, inclusivamente em Portugal.

c) Há designações em inglês que nos nossos dias são já referências mundiais, como, por exemplo, stop, WC, etc., onde a anotação com aspas parece já um prurido purista.

Em resumo, penso que em produtos fabricados em Portugal, mesmo destinados em princípio a portugueses, mas que possam ser usados por estrangeiros ou exportados, é perfeitamente legítimo escrever-se: «Made in Portugal»; e eu nem exigiria o itálico ou as aspas altas. Lembremos também que, por exemplo, num artigo de qualidade, é prestigiante para o país que um estrangeiro repare bem que em Portugal também se fazem produtos de excelência.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: Sem alteração.

Para o Brasil: frequente.

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na e...

Pergunta:

Reparo que o Acordo Ortográfico tem pronúncia diferente para Portugal e para o Brasil na palavra micrometro. O Brasil adopta "micrometro" com acento em metro, o que dá melhor informação que a versão micrómetro. Por que razão não adotamos a versão brasileira que decompõe a palavra no prefixo micro (mil) + metro (unidade de comprimento).

Creio que seguimos uma regra gramatical, mas aqui deveria haver excepção.

É um pequeno nada, mas seria revelador duma atitude.

PS — Mais uma vez vos solicito que se proponham fiscalizar/ajudar os media TV e rádio que tanto mal fazem à Língua.

Resposta:

Deve ter havido uma confusão nas suas referências. O que o novo acordo determina na Base XI, 3.º é que «Levam acento agudo ou circunflexo as proparoxítonas reais ou aparentes cujas vogais tónicas grafadas “e” ou “o” estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas por “m” ou “n”, conforme o seu timbre, respectivamente aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua.»

Assim, admite-se a dupla grafia micrómetro/micrômetro no novo acordo.

Micrômetro e não *micrometro foi a grafia que encontrei na literatura brasileira em meu poder, nomeadamente no completo Vocabulário da Academia Brasileira de Letras.

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: respetivamente
Para o Brasil: Sem alteração

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na escrita.

Ao seu dispor,

Pergunta:

Gostava de saber, quando um título (de livro ou filme, etc.) tem artigo, como se inclui no meio de uma frase, p. ex.: «n´O Abismo», ou «em O Abismo»?

ou

«o O Abismo», ou apenas «O Abismo»

(sendo O Abismo um título como exemplo).

Obrigada.

Resposta:

As normas actuais e o novo acordo dão os seguintes exemplos: «d’ Os Lusíadas», «n’ Os Lusíadas»; «de Os Lusíadas», «em Os Lusíadas».

É aneufónica a associação «o O Abismo». Haverá certamente forma de evitar o desagradável eco imediato, introduzindo outros elementos de permeio, por exemplo, «o livro/filme O Abismo». 

Diferenças neste texto para o novo acordo

Termos para Portugal: atuais
Para o Brasil: Sem alteração

NOTA: as duplas grafias não implicam alterações obrigatórias na escrita.

Ao seu dispor,