Conceição Saraiva - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Conceição Saraiva
Conceição Saraiva
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Licenciada e Mestre em Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Professora de PLE no Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da FLUL. Formadora certificada pelo IEFP.

 
Textos publicados pela autora

«Consistência argumentativa» é a propriedade de os argumentos, ditos ou escritos, demonstrarem verdade ou falsidade, baseados numa boa estruturação: devem transmitir ao interlocutor validez, lógica, solidez, firmeza, boa fundamentação, coerência e, portanto, serem dignos de crédito. O argumento, para ser credível e consistente, tem de evitar também a ambiguidade e a redundância; deve ser captado por quem lê/ouve como uma tese, uma doutrina.

Sempre ao dispor.

O Dicionário da Língua Portuguesa da Texto Editora (2009) atribui três acepções a relapso: «adj. e s. m. 1. que ou pessoa que reincide, reincidente 2. que ou pessoa que é impenitente 3. que ou pessoa que é obstinada (Do lat. relapsu- , «que tornou a cair», part. pass. de relābi, «tornar a cair; cair para trás»)». No Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências encontra-se, igualmente, relapso como adjectivo e como substantivo, sendo as definições, para cada uma das acepções que apresenta, idênticas àquelas definidas no manual lexicográfico anteriormente citado. O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa Nova Fronteira remete relapso para lapso.

Considera-se, assim, que «uma população é relapsa» quando, de facto, repete o lapso. Em vez de corrigir o erro, este torna-se num «hábito».

Sempre ao dispor.

Ambas as formas são correctas. Cada uma delas faz parte do uso dos falantes da língua.

Alguns materiais lexicográficos consultados referem, entre outras acepções, as duas formas para o acto que a consulente refere. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa descreve na mesma acepção: «acender pôr(se) em funcionamento (relativamente à luz, à força eléctrica), ligar (um aparelho, um equipamento etc.) <a. o rádio> <a. a luz>.» Acontece o mesmo com as entradas lexicais apagar e desligar.

Ao dispor.

Sobre «caros todos», trata-se, de facto, de tradução directa do inglês, a qual, em português, dá origem a uma forma de tratamento incorrecta.

Em português, ao dirigirmo-nos a alguém, quer na escrita, quer na oralidade, a forma de tratamento correcta é apenas: «Caros.» O uso de «Caros» não é incorrecto, uma vez que, tratando-se de correio electrónico, a intenção é a economia da linguagem.

Se, no entanto, se pretender um tratamento mais personalizado, sugiro que se complemente com as expressões colega(s)/amigo(s).

Sempre ao dispor.

Comecemos pelo conceito de língua. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo, 6.ª edição, Lisboa, Edições João Sá da Costa, págs. 1-5), «língua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos». A língua, como «expressão da consciência de uma colectividade», é o meio pelo qual essa consciência representa o mundo envolvente e sobre este age; além disso, a língua não é imutável, pelo contrário, vive em perpétua evolução.

Os diale{#c|}tos constituem um dos tipos de diferenças existentes numa língua. Cunha e Cintra consideram três tipos de diferenças (ibidem):

1. diferenças no espaço geográfico (falares locais, variantes regionais e, até, intercontinentais — dialectos);

2. diferenças entre as camadas socioculturais (nível culto, língua-padrão, nível popular…);

3. diferenças entre os tipos de modalidade expressiva (língua falada, língua escrita, língua literária, linguagens especiais, linguagens dos homens, linguagens das mulheres…).

Os referidos gramáticos (idem) observam que, «condicionada de forma consistente dentro de cada grupo social e parte integrante da competência linguística dos seus membros, a variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em todos os níveis: fonético, fonológico, morfológico, sintáctico, etc.». Acrescentam ainda: «Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a sistemas e subsistemas adequados às necessidades dos seus usuários.»

A partir da mesma fonte transcreve-se: «As formas características que uma língua assume regionalmente denominam-se DIALECTOS. Na área variadíssima e descontínua em que o português é falado apresenta-se...