Textos publicados pelo autor
Levar e demorar na expressão do tempo
Pergunta: «Levou (ou levaram?) 55 anos para que a situação retomasse sua normalidade.»
Seria «levou», ou «levaram 55 anos»?
Se alterasse para demorar, a resposta seria a mesma?Resposta: Nesse contexto, se o tempo que transcorre não é referido a nenhuma entidade («O João levou/demorou 55 anos a escrever este livro»), então o verbo é usado impessoalmente, isto é, só na terceira pessoa do singular se conjuga, como o verbo haver, também em expressões de tempo («há 55 anos»). Por conseguinte, as frases correctas são «levou 55 anos...
Variação em grau e particípios passados
Pergunta: Gostaria de uma frase (como exemplo) onde fosse empregado um verbo no particípio flexionado em grau. Bem sei que os verbos quando estão na forma nominal flexionam em gênero, número e grau, porém não consigo uma frase como exemplo, e as que crio ficam estranhas.
Desde já agradeço a compreensão.Resposta: Se um particípio passado varia em grau, então é porque já não é usado como tal, mas, sim, como adjectivo. Por exemplo, a palavra cansado é particípio passado do verbo cansar, mas...
«Tudo ao molho»
Pergunta: «Tudo ao molhe em Ypres.»
Este título de uma notícia da revista portuguesa de desporto automóvel Auto Sport, edição de 12 de Junho, página 17, está correcto?
O articulista queria referir-se ao facto de que no Rali de Ypres (Bélgica) estariam muitos inscritos, muitos carros em prova e presentes muitos favoritos à vitória.
Será que não deveria dizer «Tudo ao molho», que julgo ser a expressão mais correcta e que sempre ouvi dizer? O facto de se tratar de um jornalista da Madeira a escrever a notícia, onde é muito...
A regência do substantivo carta
Pergunta: Na oração «Ele descreve o problema num dos trechos da carta a D. Manuel.», qual seria a função sintática da expressão «a D. Manuel»?Resposta: Trata-se de um complemento nominal. O Dicionário de Regimes de Substantivos e Adjetivos, de Francisco Fernandes, assim o sugere, quando atribui ao substantivo carta regências construídas com as preposições a e para e a locução prepositiva acerca de, à qual podemos juntar outras palavras e...
«Eis que» e «eis senão quando»
Pergunta: A locução conjuntiva «eis que» só pode ser temporal e jamais causal?
Obrigada.Resposta: A sequência «eis que» não é uma locução conjuntiva, é apenas a associação da palavra eis, tradicionalmente classificada como advérbio, à conjunção que, introdutora de orações.1 A sequência em apreço encontra-se descrita por Maria Helena de Moura Neves, no Guia de Uso do Português (São Paulo, Editora UNESP, 2003):
«1. Eis é palavra que aponta para adiante no texto,...
