Textos publicados pelo autor
«Puxar a alguém» e «puxar por alguém»
Pergunta: É correto dizer:
«Maria puxou pelo pai»
Ou deve dizer-se «Maria puxou ao pai»?Resposta: Se o significado a veicular é o de «ter características semelhantes a alguém; parecer-se com», então o mais correto é «puxar a»: «Maria puxou ao pai.» É o uso registado no Dicionário Houaiss: «herdar características de (ascendentes). Ex.: «puxa ao avô»1. Além disso, na mesma aceção, igualmente se regista o emprego do verbo sair, na expressão «sair a alguém» (cf. Dicionário...
A locução «até a»: «até àqueles dias»
Pergunta: «Até aqueles dias» ou «Até àqueles dias»? Porquê?
Muito obrigado pela vossa ajuda de sempre.Resposta: Referindo um limite temporal ou espacial, diz-se e escreve-se, em Portugal, «até àqueles dias», tal como se diz e escreve «até às próximas semanas», expressão em que às também exibe acento grave em resultado da contração da preposição a com o artigo as.
Mas grafa-se «até aqueles dias» (sem contração da preposição a), se se pretender dar...
Sobre a sequência «... e mas»
Pergunta: Eu gostaria de saber se há algum respaldo da gramática prescritiva para a combinação de duas conjunções (e + mas).
Encontrei isso num verso de Gonçalves Dias: «Nem tão alta cortesia / Vi eu jamais praticada / Entre os Tupis,– e mas foram / Senhores em gentileza.» (I-Juca-Pirama, VII).
Também encontrei outros exemplos:
1. «A ameaça rugiu-lhe no coração e mas a cólera cedeu à angústia e ele sentiu na face alguma cousa semelhante a uma lágrima.» (Helena – Machado de Assis);
2. «Ele aqui abriu a carteira com...
Dissimilação de /i/ e pronúncia de litígio
Pergunta: Tal como em ministro ("menistro"), vizinho ("vezinho"), feminino ("femenino"), etc., existe fenómeno de dissimilação em litígio ("letígio")?Resposta: Não se verifica tal fenómeno em litígio mesmo na pronúncia-padrão de Portugal, como indicam as transcrições fonéticas disponíveis na Infopédia – [liˈtiʒju] – e no Portal da Língua – [li.tˈi.ʒju].
Por razões que parecem ainda pouco...
A ideia de «génio da língua»
Pergunta: Os autores mais antigos falavam sempre em «génio da língua», em ser determinada construção «contra o génio da língua», por exemplo.
Esta visão subsiste ainda hoje?
Muito obrigado.Resposta: A ideia de «génio da língua» parece remontar ao século XVII e diz respeito às características que individualizam uma língua por oposição às outras.
Ao que parece, esta ideia associava-se a outra, a de que as línguas eram organismos, com nascimento, maturação e morte, com certa autonomia em relação às comunidades que as...
