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Pelourinho // Anglicismos

Frequentar mosques

Quando uma mesquita passa a ser inglesa

Num comentário produzido no programa "Eelefante na sala" (SIC Notícias, na noite de 11/09/2026), a propósito de Zohran Mamdani, atual presidente da Câmara de Nova Iorque, ouviu-se a afirmação de que este «frequenta mosques» (minuto 8'22). O contexto era político e a referência, naturalmente, era às mesquitas que Mamdani frequenta e aos imãs que nelas exercem a sua atividade. Mas é a escolha da palavra inglesa mosques, num enunciado em português, que aqui nos interessa.

Em português, mosque diz-se mesquita, e o plural é mesquitas. Assim, num enunciado português, a frase seria simplesmente: «Mamdani frequenta mesquitas.»

O caso é particularmente curioso porque mosque não vem preencher qualquer lacuna vocabular: existe em português, há muito, uma palavra perfeitamente corrente para designar o mesmo lugar. Mosques é apenas o plural inglês de mosque.

Temos, portanto, em «frequenta mosques», uma construção híbrida, em que o verbo é português e o nome, inglês. É um pequeno exemplo de como o inglês se pode infiltrar no discurso português mesmo quando não há qualquer necessidade comunicativa de recorrer a ele. Na verdade, não há aqui nenhuma dificuldade de tradução: quem frequenta mosques frequenta, em português, mesquitas.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa