Antologia // Portugal A Defesa da Língua Portuguesa Fuja daqui o odiosoProfano vulgo1, eu cantoAs brandas Musas, a uns espíritos dadosDos Céus ao novo cantoHeróico, e generosoNunca ouvido dos nossos bons passados.Neste sejam cantadosAltos Reis, altos feitos,Costume-se este ar nosso à Lira 2nova.Acendei vossos peitos,Engenhos bem criados.Do fogo, que o Mundo outea vez renova.Cada um faça alta provaDe seu espírito em tantasPortuguesas conquistas, e vitórias,De ... António Ferreira · 9 de dezembro de 2009 · 4K
Antologia // Portugal António Vieira O céu 'strela o azul e tem grandeza. Este, que teve a fama e à glória tem, Imperador da língua portuguesa, Foi-nos um céu também. No imenso espaço do seu meditar, Constelado de forma e de visão, Surge, prenúncio claro do luar, El-Rei D. Sebastião. Mas não, não é luar: é luz do etéreo. É um dia; e, no céu amplo de desejo, A madrugada irreal do Quinto Império Doira as margens do Tejo. Fernando Pessoa · 9 de dezembro de 2009 · 5K
Antologia // Portugal A palavra Pomo gerado entre a pedra e a abelhado pólen do silêncio.Um súbito desejo te despertaluz viva em fibras de coragem.Ardes em labaredas sobre a mesaonde desperto te incendeio.Forma exacta cintilas pululandona memória. Ó ar! Ó espiga!E passáro e flecha sobre mim revoas.Que mão resiste? Que bosque?Como um cão caminhas no meu rostoe a mão segue os teus passos, verdadeira.Em cachos perduras na memóriade todas as coisas viva... Joaquim Pessoa · 10 de novembro de 2009 · 3K
Antologia // Portugal Pessoas de verbo complicado Até podem não ser nada complicadas a falar nem na sua maneira de ser. Até é possível que sejam pessoas extremamente simpáticas e de trato agradável. Mas aí está. Por qualquer razão que pode ser simplesmente o desempenharem um cargo importante, o usarem um nome ilustre, o terem uma fortuna considerável, as referências que lhes são feitas trazem o tal verbo complicado. E então o senhor não vai, desloca-se; o senhor Sicrano não fala, usa da palavra; o senhor Beltrano não estuda um assunto, debru... Maria Judite de Carvalho · 5 de outubro de 2009 · 5K
Antologia // Moçambique Língua Poema do moçambicano Luís Carlos Patraquim inserto no livro Pneuma, edição Caminho, Lisboa (2009) Luís Carlos Patraquim · 8 de maio de 2009 · 5K
Antologia // Brasil Língua portuguesa Ó língua de Camões, de estrofes sonorosas, que Netuno aprendeu para encantar sereias, idioma que ensinou às virgens amorosas a ternura que vibra em trovas e epopeias! Língua de Bernardim, de lendas lacrimosas, se cantas o furor das guerras, estrondeias, mas, se falas de amor em xácaras saudosas, qual meigo rouxinol, suavíssimo, gorjeias! Língua que fez chorar a França soberana, com frases de paixão de Freira Lu... Maximiano Augusto Gonçalves · 9 de abril de 2009 · 4K
Antologia // Brasil Soneto à Língua Portuguesa Havia luz pela amplidão suspensa no azul do céu, vergéis e coqueirais... e o Lácio, com fulgores divinais, abrigava de uma virgem a presença... Era um castelo de ouro, amor e crença, que igual não houve, nem haverá jamais... Onde os poetas encontraram ideais na poesia nova, n'alegria imensa... A virgem era a Língua Portuguesa, a mais formosa e divinal princesa, vivendo nos vergéis de suave aroma! Donzela mei... Waldin de Lima · 7 de março de 2009 · 4K
Antologia // Portugal Para que te serve a língua A língua é um instrumento de prazer. Por vezes doce, por vezes amarga.Para usar e abusar. Para aceitar e para recusar. Para dizer. Para amar. Paramentir. Para lutar. Para viver.A língua pode ser meiga, suave, túrgida, bífida, trabalhadeira. Ou entãobrusca, áspera, terrível, iracunda, traiçoeira. Como os sentimentos. À flor dapele. Viriato Teles · 25 de setembro de 2008 · 9K
Antologia // Portugal Para que serve a Língua Portuguesa «Tinham sido dias complicados, febres descontroladas e sem razão aparente, ora muito altas, ora muito baixas, e o braço a inchar, e a doer horrivelmente, assim como se a carne fosse rebentar da pele – mas eu odeio hospitais, e fui tentando tudo (incluindo aquelas mezinhas que a gente já sabe que não resolvem rigorosamente nada mas que dão um grande consolo à alma – e se a alma precisava de ser consolada, meu Deus!) para ver se a coisa se resolvia a nível caseiro.» Texto da escritora Alice Vieira publicado no Jornal de Notícias de 22 de Junho de 2008 Alice Vieira · 28 de julho de 2008 · 3K
Antologia // Portugal A Língua Portuguesa Esta língua que eu amoCom seu bárbaro lanhoSeu melSeu helénico salE azeitonaEsta limpidezQue se nimbaDe surdaQuanta vezEsta maravilhaAssassinadíssimaPor quase todos os que a falamEste requebroEsta ânforaCantanteEsta máscula espadaGraciosíssimaCapaz de brandir os caminhos todosDe todos os aresDe todas as dançasEsta vozEsta línguaSoberbaCapaz de todas as coresTodos os riscosDe expressão(E ganha sempre à partida)Esta língua portuguesaCapaz de tudoComo uma mulher realmenteApaixonadaEsta língua Alberto de Lacerda · 4 de novembro de 2007 · 3K