Antologia // Angola Uma língua que aceita brincadeiras* «Quando pensamos numa língua muitas vezes a vemos da forma sisuda que na escola nos ensinaram a encará-la, com aquelas regras chatíssimas de gramática que parecem talhar um fato apertado que a sufoca. Afinal essas regras podem não ser tão antigas assim e dependem das brincadeiras que fazemos com a língua.» [Texto do escritor angolano Pepetela escrito especialmente para o Ciberdúvidas, na sequência dos contributos do do cabo-verdiano Germano Almeida, do guineense Carlos Lopes, do moçambicano Mia Couto e do português José Saramago.] Pepetela · 7 de março de 1997 · 8K
Antologia // Portugal A FALA Sou de uma Europa de periferiana minha língua há o estilo manuelinocada verso é uma outra geografiaaqui vai-se a Camões e é um destino.Velas veleiro vento. E o que se ouviaera sempre na fala o mar e o signo.Gramática de sal e maresiana minha língua há um marulhar contínuo.Há nela o som do sul o tom da viagem.O azul. O fogo de Santelmo e a trombade água. E também sol. E também sombra.Verás na minha língua a outra margem.Os símbolos os ritmos os sinais.E Europa que não mais Mestre não mais. Manuel Alegre · 28 de fevereiro de 1997 · 4K
Antologia Do que deveriam aprender os meninos além de ler, escrever e contar, etc. Bem sei, Ilustríssimo Senhor, que me acusarão de gastar assim o tempo nestas particularidades que pertencem à meninice, de um modo tão rasteiro e fora do discurso quer ninguém, que pretende a algum grau de literatura, gastar o seu tempo em ler o que escrevo. Mas não o julgou assim Plutarco, Quintiliano nem aqueles restauradores das letras humanas Erasmo nem Luís Vives, em muitas das suas obras, ainda que decorado com o horroroso cargo de mestre de Filipe II. Estes referidos autores pus... António Nunes Ribeiro Sanches · 0 de de · 4K