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Textos de autores lusófonos sobre a língua portuguesa, de diferentes épocas.
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Excerto do Canto VIII da obra maior do autor, Invenção de Orfeu.

 

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Por Manuel Rui,Marco Guimarães

Extrato inicial do livro A Bicha e A Fila, uma paródia à volta das diferenças culturais entre Brasil, Angola e Portugal – a começar nas palavras do título do romance escrito "a quatro mãos".

 

Esta língua é como um elástico
que espicharam pelo mundo.
No início era tensa,
de tão clássica.

Com o tempo, se foi amaciando,
foi-se tornando romântica,
incorporando os termos nativos
e amolecendo nas folhas de bananeira
as expressões mais sisudas.

Um elástico que já não se pode
mais trocar, de tão gasto;
nem se arrebenta mais, de tão forte.

Um elástico assim como é a vida
que nunca volta ao ponto de partida.

 


A minha língua é bonita como um vestido de domingo
é bela como o tempo
tem passado,  presente e futuro
tem sons que enchem a minha casa de afetos
afetos dos sentidos, dos cinco
afetos que me afetam e me tocam
me vestem e despem a alma
e arrancam
os pregos que me amarram
e alteram a minha vida, numa transformação física
e tem cores que se misturam na água da minha boca
numa solução química, ora doce ora amarga.
a minha língua fica às vezes presa com...

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Uma árvore subiu, escreveu Rilke nos Sonetos a Orfeu. Nelson Mandela é agora a Grande Alma que paira sobre nós, a incandescência do Puro Espírito. Que a África do Sul e o Mundo mereçam este barro humano que se moldou no incêndio da História do seu Povo, no de África e de todos os continentes.

Nunca vou conseguir avaliar esta língua apenas pela sua música. Está demasiado dentro de mim para que seja capaz de alcançar esse exercício. Disse a minha primeira palavra em 1975 e, desde então, o meu vocabulário tem aumentado. Ao ponto de, quando não sou capaz de dizer algo nesta língua, ter a sensação, certamente errada, de que se trata de um assunto impossível de descrever.

ANTIGAMENTE, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais, e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução mor...

Por Alexandre O´Neill

O poeta português Alexandre O'Neill (1924-1986) é o autor desta conhecida sequência de poemas-comentário, em tom lúdico, sobre os sinais ortográficos. Apresenta-se uma adaptação em vídeo, seguida da transcrição parcial do poema.


?
Serás capaz
de responder a tudo o que pergunto?

?
Gosto de quem responde
antes de perguntar...
 
 ,
Quando estou mal disposta
(e estou-o muitas vezes...)
mudo o sentido às frases,
complico tudo...
 
 ¨

«Língua de viagem e de mestiçagem», «Rio de muitos rios. E talvez pátria de várias pátrias», «O português de múltiplas tiranias/e o português das várias resistências.», «A língua é a mesma. Mas não é a mesma./É una. Mas é diversa» são versos de Manuel Alegre dum poema de elogio da língua portuguesa, poema este que foi tema da comunicação apresentada no Programa Cultural da Expolíngua, em Madrid, em março de 2003.


Texto poético em que sobressai o olhar atento sobre o falar do povo, refletindo sobre a sua pronúncia e a ortografia, ou seja, entre o uso, o erro e a norma.


Georges, anda ver o meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas de gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avisa-se lá fora!
E quando a o...