DÚVIDAS

«Várias respostas» e «respostas várias»
Em uma prova que fiz, tinha a seguinte questão:«... torna o outro detentor de um certo saber»; «certo saber» não possui o mesmo significado que «saber certo». A alternativa que mostra um caso semelhante é:a) resposta correta/correta resposta;b) paisagem bela/bela paisagem;c) autor conhecido/conhecido autor;d) várias respostas/respostas várias»O gabarito marcava a resposta d), porém, sempre sinto dificuldades em questão desse tipo.Agradeço.
Respostas sobre pronúncia
Como não encontro outro local para deixar este alerta, chamo a atenção para o facto de as respostas na subárea linguística Pronúncia não estarem acessíveis. Será possível resolver este problema? Cumprimentos.
Novas respostas e rubricas actualizadas
Durante a semana que ora finda, pusemos em linha 69 respostas (ver Perguntas de Hoje e Perguntas Anteriores). Ficam também actualizadas as seguintes rubricas: Antologia, Correio, Montra de Livros, Notícias Lusófonas, O Português na 1.ª Pessoa e Pelourinho.
61 novas respostas em linha
1. Foram 61 as perguntas respondidas ao longo da última semana (cf. Perguntas de Hoje e Perguntas Anteriores). Como sempre, fizemos a actualização das rubricas Pelourinho, Correio, Notícias Lusófonas, Antologia. 2. Mas também actualizámos a rubrica Montra de Livros, com um apontamento sobre a 4.ª edição do Prontuário – Erros de Português Corrigidos de D’Silvas Filho (Lisboa, Texto Editores, 2006). 3. Aproveitamos para voltar a pedir a quem nos consulta a indicação, no formulário de pergunta (ver nesta mesma página, em baixo), do nome, do apelido/sobrenome, da profissão, da localidade e do país. É indispensável, também, o envio de um endereço de correio electrónico, para quando for necessário um contacto directo, caso a pergunta já tenha sido respondida ou reclame algum esclarecimento suplementar. Ciberdúvidas respeitará, naturalmente, a confidencialidade de todos os endereços que lhe cheguem por esta via.
Respostas a perguntas começadas por quem
Sou mãe de um menino do 2.º ano de escolaridade. A professora dele ensinou que as perguntas começadas por «quem» tinham uma maneira especial de responder. Por exemplo «quem conhece o seu segredo?» é respondido: «o seu segredo é conhecido pelas crianças» e não se pode responder «quem conhece o seu segredo são as crianças». Isto é mesmo assim?
As nossas respostas + pedidos, de novo + programas de rádio
1. A aplicação em Portugal da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) mantém-se tema freq[ü]ente nas perguntas que nos fazem. Neste âmbito, sugerimos a leitura das respostas Advérbio adjunto ou disjunto?, As orações pequenas na análise sintáctica e Os complementos e os modificadores restritivos do nome. 2. Para os que se interessam mais pelos aspectos histórico-culturais da língua, propomos Nomes de bebidas com café em Portugal e O significado e a origem da expressão «tratos de polé». Sobre o que se pode ou não dizer e escrever (por exemplo, criação de palavras, combinação de formas verbais e pronominais), recomendamos A combinação de pronomes átonos e Pó de talco. E temos ainda o Pelourinho, a explicar que homens-a-dias é melhor do que ”maridos-a-dias”. 3. Já agora, pedimos mais uma vez aos nossos consulentes que não nos enviem perguntas do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, a decorrer em Portugal, porque não podemos favorecer os concorrentes que nos procuram. Gostaríamos também de fazer mais um pedido: não nos enviem a mesma pergunta dias seguidos, porque não temos meios para evitar uma escusada duplicação de respostas por reencaminhamento para consultores diferentes. 4. Lembramos entretanto que o Ciberdúvidas continua a desenvolver a sua colaboração com a RDP, a rádio pública portuguesa. Além de manter o programa Páginas de Português, emitido todos os sábados às 13h30 (hora portuguesa) pela Antena 2, terá proximamente duas novas rubricas, uma na RDP África e outra, já a partir da próxima segunda-feira, dia 20, na Antena 1, com o título O Jogo da Língua. Esta rubrica, que irá para o ar de segunda a sexta-feira depois das 15 horas, é, como o nome indica, um jogo com perguntas múltiplas sobre dificuldades e curiosidades da Língua Portuguesa, com respostas dos ouvintes e um esclarecimento posterior a cargo da professora universitária Margarita Correia. 5. Ficamos a aguardar mais perguntas. Boa semana.
O estudo dos verbos causativos e de perceção nos ensinos básico e secundário
Gostaria de aprofundar a análise sintática de frases complexas com verbos causativos (mandar, fazer, etc) ou verbos sensitivos (sentir, ouvir, etc). Compreendo que seja uma matéria que levante algumas perplexidades, mas considero que não seria desejável remeter o seu estudo apenas para contexto universitário dado que estas frases são muito correntes nos textos, aparecendo com grande frequência. Exemplos: O diretor mandou-o sair O professor deixou-o entrar A doença fá-lo sofrer A Maria ouviu-o gritar. Ora, em todas estas frases complexas estamos na presença de uma subordinante [o diretor] e de uma subordinada completiva de infinitivo não flexionado [-o sair]. A subordinada completiva exerce a função sintática de complemento direto, tal como consta na Gramática do Português da Fundação Calouste Gulbenkian (p. 1957), citada pelo Ciberdúvidas: «Os verbos causativos "mandar" e "fazer", o verbo de permissão "deixar" (que costuma ser classificado como "causativo", tal como os dois primeiros) e os verbos de perceção "ver", "ouvir" e "sentir" são predicadores transitivos que selecionam dois argumentos: um argumento sujeito, com o papel temático de agente com os verbos causativos e de experienciador com os verbos de perceção; e um argumento oracional com a função de complemento direto, que denota a situação causada ou percecionada.» Ora, como o mesmo verbo não pode ter dois complementos diretos, esta análise invalidaria a classificação do pronome “o” como complemento direto. Por exemplo, da frase “o amor fez o poeta sofrer” para a frase “o amor fê-lo sofrer” estamos perante a existência de um pronome “lo”, que na verdade não se trata do complemento direto do verbo fazer, pois o CD do verbo fazer é “o poeta sofrer”. Ou seja, seria aceitável dizer “o amor fê-lo” [o amor fez a ação de colocar o poeta a sofrer / o amor fez isso). Ora, se mantivermos a construção “o amor fê-lo sofrer”, que é, de facto, uma construção perfeitamente natural na língua, e procedermos à sua análise sintática, constatamos que “o amor” é sujeito, “fê-lo sofrer” é predicado, e o constituinte “lo-sofrer” é complemento direto. Isto significa que, na frase complexa, “lo” não exerce qualquer função sintática, ele é apenas uma parte do Complemento direto do verbo fazer. Já na oração completiva o pronome “lo” é o sujeito dessa oração completiva. O que se passou aqui foi que o sujeito da oração completiva foi flexionado na forma de pronome para o interior da oração subordinante (como as várias respostas do Ciberdúvidas confirmam: elevação do sujeito da oração completiva a objeto da oração subordinante). Mas esta pronominalização do sujeito da oração completiva na oração subordinante, apesar de ter a mesma forma de um complemento direto (pois os pronomes o/a/os/as e seus derivados habitualmente desempenham a função de CD), não pode ser considerada CD. Ou seja, estamos perante uma pronominalização em o/a/os/as que não desempenha a função sintática de CD, ao contrário do que foi dito em algumas das respostas do Ciberdúvidas, que passo a citar: “ «O amor fez o poeta sofrer.» Quando o sujeito da oração completiva é realizado por um pronome, verifica-se um fenómeno a que se dá o nome de "subida do clítico", pelo qual esse sujeito é realizado como complemento direto de "fazer": (4) «O amor fez o poeta sofrer.» (= «O amor fê-lo sofrer.») (construção com oração de infinitivo não flexionado) Nesta última construção, ocorre o fenómeno designado por elevação do objeto a sujeito, um processo sintático no qual o sujeito da oração subordinada se desloca para o interior da oração subordinante com a função de complemento direto, o que fica evidente pelo facto de o grupo nominal ser nominalizado por meio do pronome -o:” '(4a) «O amor fê-lo sofrer.» Neste caso particular, o constituinte «o poeta», embora seja sintaticamente complemento direto do verbo fazer, semanticamente é agente do verbo sofrer.' in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/fazer-causativo-e-elevacao-do-objeto-a-sujeito/38859 [consultado em 21-01-2026]” Ora, diz-se explicitamente que o pronome “lo” é CD, pelo facto de o grupo nominal ser nominalizado por meio do pronome “o”. O que eu defendo é que o facto de o sujeito da subordinada ser nominalizado por “o” na subordinante não implica que passe a ser complemento direto da subordinante, ou seja, defendo eu que a nominalização em “o” não é critério suficiente para ser complemento direto (o que, claro, também viola alguns dos axiomas mais bem sustentados na nossa gramática) Ora, o que eu contesto aqui é que existe uma contradição que pode vir ou não a ser resolvida. Não podemos assumir umas vezes que na frase o poeta “fê-lo sofrer” o pronome “lo” desempenha a função sintática de complemento direto do verbo fazer e depois assumir também que o constituinte “-lo sofrer” funciona como complemento direto do verbo fazer. As duas afirmações são contraditórias, pois implicariam que o verbo fazer selecionaria dois complementos diretos (repare-se que há casos em que o verbo fazer seleciona dois complementos diretos mas em orações diferentes como “O professor fez o João fazer o trabalho”, que não é aquilo que aqui está em causa). E compreendo que a admissão de dois complementos diretos do mesmo verbo seria uma violação mais profunda das regras mais estabelecidas na gramática (mas que não seria nenhum escândalo se mudassem, como pode acontecer ao longo do tempo). É por isso que, na minha opinião, existiriam pelo menos duas soluções de análise sintática da frase “o amor fê-lo sofrer” Alternativa 1: Sujeito: o amor Complemento direto do verbo fazer: -lo Predicativo do complemento direto: “sofrer” (esta sim oração infinitiva não flexionada) Ou seja, se assumirmos que “lo” é complemento direto do verbo fazer não restaria outra alternativa: teríamos de considerar “sofrer” uma caraterística do complemento direto, um predicativo do complemento direto. Estaríamos a predicar o CD como uma entidade que está a sofrer. Mas esta opção é rejeitada pelas gramáticas, segundo esclarecimentos do Ciberdúvidas, o que admito perfeitamente. Logo, e sendo assim, só parece restar a seguinte alternativa 2: Sujeito: o amor Complemento direto: -lo sofrer (oração completiva infinitiva não flexionada) E portanto, o pronome “lo” não poderia ser o complemento direto do verbo fazer, constituiria apenas e tão só uma forma de pronominalizar o sujeito acusativo da oração completiva, forma essa que, excecionalmente, não denota um complemento direto. Com este esclarecimento pretendo apenas contribuir para a discussão salutar. É verdade que pode ser um assunto apenas para nível universitário e inadequado para discutir no ensino secundário. Mas vejamos: a frequência destas frases é tão grande que certamente em muitas salas de aula deste país haverá muitos professores que, ao verem a frase “o amor fê-lo sofrer”/o professor mandou-o sair/ o João viu-o entrar”, cairão na tentação de perguntar aos alunos qual a função sintática do pronome “lo/o” e obterão como resposta, considerada pelos mesmos professores correta, que o pronome “lo” desempenha a função sintática de complemento direto do verbo fazer. Mais uma vez, muito obrigado pela vossa paciência e mais grato ainda pelo vosso excelente trabalho.
Meia-tigela e racismo
Todas estas matérias aqui indicam que o vocábulo «(de) meia-tigela» seja racista:  "Boçal, meia-tigela e mais termos racistas para você deixar de usar" "Mercado negro, meia-tigela, índio: veja expressões que a agu quer barrar" "Conheça algumas expressões racistas e seus significados" "Você sabia que..." A palavra meia-tigela surgiu em Portugal, e nada tem a ver com pessoas negras! De onde tiraram que ela é racista? Este vídeo do YouTube mostra e explica sobre o assunto todo: Pablo Jamilk, "Meia-tigela é uma expressão racista", YouTube,  14/04/2022. Detalhe também que o mesmo youtuber do vídeo acima defende que mulato e denegrir, em suas origens (etimologias), não possuam quaisquer relações com o animal mula ou «pessoas negras»! Como isso fica? E ainda tem mais: termos como «noite negra», «buraco negro» e «Cavaleiro Negro»? Também terão cunhos racistas? Usei o termo «de meia-tigela» em um livro meu (O Desespero de um Solteiro), fui ver se é ou não racista, e deu que não é! Tudo certinho na realidade? Abração a vocês todos! Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Ainda os títulos de obras em textos manuscritos
No sítio do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na resposta à questão “Títulos de obras ou de textos em manuscritos” [consultado em 16-12-2025], a autora Carla Marques respondeu o seguinte em 15 de dezembro de 2025: «Antes de mais, é importante que se diga que não existe uniformidade quanto aos processos de destacar títulos de obras ou partes delas. Diferentes quadros podem propor diferentes soluções estilísticas.» Ora, julgo que pode contribuir para completar a resposta e alargar o campo de aplicação saber que existe uma Norma Portuguesa que estipula «diretrizes para a redação de referências bibliográficas e citações de recursos de informação». Trata-se da NP ISO 690:2024 «Informação e documentação – Diretrizes para a redação de referências bibliográficas e citações de recursos de informação», publicada pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), a 16 de setembro de 2024. A NP ISO 690:2024 descreve um conjunto de princípios e diretrizes práticas para a criação de referências e os requisitos para a citação de recursos de informação. Fornece, também, as indicações para a elaboração de citações e referências bibliográficas, estabelece a ordem dos elementos na elaboração dessas referências, bem como as regras para a transcrição e apresentação da informação proveniente de diferentes fontes de informação. Ora, sendo a consulente aluna do 12.º ano e referindo-se à redação de textos em contexto académico, entendo que deveria ser do conhecimento dos alunos do ensino secundário, e até do 3.º ciclo do ensino básico, a existência desta Norma, bem como a sua aplicação. No ensino superior os alunos farão uso desta Norma ou de outras Normas Internacionais (APA, Chicago, Harvard, Vancouver e outras), pelo que convém estarem familiarizados, desde logo com a Norma Portuguesa. Aliás esta responde concretamente às questões e dúvidas da consulente. Espero que o contributo seja proveitoso.
Frase simples e construção clivada
Na frase «Terá sido por esta altura (1914) que Pessoa começou a colocar a criação de personalidades literárias numa perspetiva mais ampla». Como classificar a oração subordinada? Agradeço resposta logo que possam. Obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa