Brasil e Portugal: porquê diferentes nomenclaturas gramaticais?
Por que Brasil e Portugal possuem certas diferenças quanto a denominações, entendimentos e categorizações gramaticais (como, por exemplo, a diferença entre o «futuro do pretérito do modo indicativo» brasileiro e o «modo condicional» português)?
Há alguma razão para tais distinções e discordâncias que vá além dos fatores educacionais ou histórico-tradicionais já consabidos e estudados, tendo em vista que as primeiras normatizações oficiais de cada país a tratarem do assunto foram publicadas – pelo que sei até agora, e peço o perdão caso eu desconheça iniciativas anteriores – com um intervalo de quase uma década separando uma da outra (a Nomenclatura Gramatical Brasileira foi instaurada em 1959 e a Nomenclatura Gramatical Portuguesa, em 1967)?
Sinceramente, nunca entendi totalmente a situação e esta sempre me "aturdiu", especialmente após eu ter começado a pesquisar e a cotejar livros sobre a nossa língua, dicionários e gramáticas.
Desde já, agradeço a compreensão!
Associação de palavras gramaticais: «com que»
Entro em contato para sanar uma dúvida que me acompanha há algum tempo. Trata-se da locução «com que».
A construção completa é a seguinte:
«Lembro com que sentimento de encanto folheava o caderno que um vizinho me emprestara, contendo as lições de um quase nada daquela língua que ele aprendera quando seminarista.» (Extraído do prefácio da tradução de Irineu Bicudo de Os Elementos de Euclides.)
Para a análise, apenas a primeira oração é importante:
«Lembro com que sentimento de encanto folheava o caderno que um vizinho me emprestara.»
Minha pergunta é: o que significa exatamente esse «com que» nesse contexto? Como parafrasear essa oração? Seria esse um caso de anástrofe – isto é, uma passagem de «Lembro que, com sentimento de encanto, folheava o caderno que um vizinho me emprestara» para «Lembro com que sentimento de encanto folheava o caderno que um vizinho me emprestara»?
Tenho, porém, fortes dúvidas, porque em minhas pesquisas encontrei outro uso de «com que» que não parece decorrer de uma inversão:
«Mas, com que sentimento inesperado fui surpreendido pela visão quando cheguei diante dela! Uma impressão total e grandiosa preencheu a minha alma, impressão que eu certamente pude saborear e desfrutar, mas não conhecer e esclarecer, porque consistia em milhares de particularidades harmoniosas entre si.”* (Excerto de Escritos sobre Arte, Johann Wolfgang Goethe, tradução de Marco Aurélio Werle, 2008, 2.ª edição.)
Caso seja possível, agradeço se puderem indicar referências sobre essa locução «com que» e seu funcionamento sintático.
Definição do termo antecedente (gramática)
Li num dicionário acerca da definição de antecedente o seguinte:
«termo a que se refere o pronome relativo.»
Esta definição está completa? Não se deveria incluir os pronomes pessoais?
Ex.: «Nos debates televisivos falou-se de muitos assuntos. Eles foram pertinentes para o meu conhecimento.
Obrigado.
Quarta pessoa gramatical
Navegando pelas versões em inglês da Wikipédia e Wikcionário, encontrei algo sobre a «quarta pessoa gramatical».:
Minha dúvida é: esse conceito, ele poderá ser aplicável em português? Poderemos assumir a existência do termo «quarta pessoa gramatical» em nosso idioma?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Repetição de palavras, gramaticalidade e estilística
Estou no ensino médio e desenvolvi interesse por língua portuguesa, porém, uma dúvida surgiu em minha mente: é gramaticalmente correto repetir preposições, artigos e pronomes na mesma frase?
Por exemplo:
"Ele comprou um presente para levar para a festa surpresa." (Repetição da preposição "para")
"O aluno entregou o projeto, e o professor se surpreendeu." (Repetição do artigo "o")
"Eu gosto de ler, e quando leio, eu aprendo algo novo." (Repetição do pronome "eu")
Consegui pensar somente nesses exemplos. Isso é considerado aceitável na gramática portuguesa ou um erro que deve ser evitado?
Agradeço antecipadamente pela colaboração e esclarecimento sobre a questão.
A classe gramatical e o uso de trás
Em que contextos a palavra trás é um advérbio ou uma preposição?
O género gramatical de flange
A maior parte dos dicionários de Língua Portuguesa classifica a palavra flange como substantivo masculino (Houaiss, Porto Editora e Universal da Texto) . O Priberam diz que pode ser feminino ou masculino. No dicionário da Academia das Ciências de Lisboa não consta.
No Brasil é usado como substantivo masculino.
Em Portugal a comunidade de engenheiros químicos e mecânicos usa flange como substantivo feminino desde sempre.
Se a palavra é um anglicismo e aqui estes substantivos não tem género, qual é forma mais correta em português sabendo que o feminino está muito enraizado nas comunidade técnicas?
Gostava de esclarecimentos.
Alterações da nomenclatura gramatical
A nomenclatura relacionada com a área específica da gramática tem vindo a alterar-se profundamente, desde o pronome oblíquo ao sujeito nulo; desde a expansão dos grupos verbais e nominais ao desaparecimento do condicional como modo, substituído agora pelo futuro perfeito ou futuro do pretérito.
Fico inquieta com tanta alteração que remove a lógica em que assentou toda a minha aprendizagem.
Mais do que uma pergunta, trata-se de um desabafo.
Obrigada.
Redobro do pronome pessoal e terminologias gramaticais
Em «vi-os aos dois», «comprei-as a todas», qual é a função sintáctica dos termos em destaque de acordo com a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário[1], a Nomenclatura Gramatical Portuguesa (1967) e a Nomenclatura Gramatical Brasileira (1959)?
[1 N. E. – Esta terminologia, conhecida pela sigla TLEBS e, entre 2004 e 2007, aplicada no ensino básico e secundário de Portugal, foi substituída em 2008 pelo Dicionário Terminológico, que constitui, conforme se lê na Direção-Geral de Educação, «um documento de consulta, com função reguladora de termos e conceitos sobre o conhecimento explícito da língua, de forma a acabar com a deriva terminológica». Sobre a TLEBS e a polémica que gerou, consultem-se os artigos reunidos pelo Ciberdúvidas aqui.]
A seleção do infinitivo pessoal por diferentes classes gramaticais
Tinha entendido, e corrijam-me se não é assim, que o uso do infinitivo pessoal era motivado por algumas partículas da língua (preposições, locuções prepositivas) ou contextos (depois de um verbo declarativo ou volitivo, numa frase subordinada em que há mudança de sujeito relativamente à oração principal).
Atendendo a estas considerações, não consigo explicar muito bem o uso do infinitivo pessoal na seguinte frase: «Ficares aqui só te vai trazer problemas», dado que interpreto «ficares aqui» como a oração principal. Posteriormente, intuí que não se trata de uma oração principal, mas uma subordinada, subentendendo-se no início da frase «o facto de ficares…».
Gostaria de saber se é assim e, no caso afirmativo, se haveria outros casos em que normalmente se omitisse essa preposição ou locução prepositiva inicial.
Muito obrigada pela sua preciosa ajuda!
