Sobre o galego - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Sobre o galego

Parece que o português de Portugal tem mais vocábulos que o do Brasil. Se, por um lado, o português brasileiro "evoluiu" adquirindo muitos neologismos, e nem poderia ser diferente, a língua mãe permanece com os termos utilizados muito antes do descobrimento do Brasil. Aí, não sei se nessa compensação toda alguém ficou com mais ou com menos vocábulos.
Por outro lado, coloco uma questão que talvez seja nova: o fato de a nossa juventude, tanto aqui como aí, ter um vocabulário muito restrito, e é essa situação que eu quero abordar.
Outra questão que não entendi, é sobre os galegos. Eles são ou não língua irmã lusófona? Eles estão mais próximos do castelhano? Parece que a região geográfica deles é limítrofe com Espanha e Portugal; Houve aí a divisão entre os dois países e eles ficaram de que lado? Hoje, ainda existem galegos e, se existem, falam fluentemente a sua língua?

Enoc Borges Ribeiro Brasil 2K

O galego era considerado até há algum tempo como um co-dialecto do português, isto é, uma variedade da nossa língua desenvolvida além-fronteiras (neste caso concreto além-Minho e Trás-os-Montes) e sofrendo, por isso, certa influência do espanhol (ou castelhano) e, sobretudo, nos primeiros tempos, do dialecto leonês. Era desta opinião, por exemplo, o grande sábio Prof. Doutor José Leite de Vasconcelos. Actualmente há quem o considere, com certo exagero, na minha opinião, como mais uma língua românica, pretendendo assim acentuar as poucas diferenças existentes entre ele e o português propriamente dito, que, na sua fase mais antiga, com aquele constituía a chamada fala galaico-portuguesa, em que floresceu a lírica medieval do lado ocidental da Península.

Os Galegos falam-no, evidentemente, em especial os dois extremos da população: os cultos, os mais eruditos, para se oporem à supremacia do espanhol, e o povo das aldeias, porque é o seu falar natural, embora também possam saber o castelhano. Grande parte da população da Galiza, porém, mesmo quando sabe exprimir-se em galego, chega até a ter vergonha de empregá-lo, o que constitui grande falta de consciência cívica.

F. V. Peixoto da Fonseca