A forma correta é Ormuz, nome que constitui uma palavra aguda (oxítona), portanto, com acento tónico na última sílaba, soando "ormús".
Como é palavra aguda escrita com -z final, não tem acento gráfico, tal como sucede com capuz, arroz, atriz, acidez e capaz.
Para compreender a grafia deste nome próprio, interessa transcrever as considerações de José Pedro Machado no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa:(mantém-se a ortografia original)
«Ilha e estreito da Ásia. A mais antiga referência que por ora conheço a esta localidade é a de Fernão Brandão: "Yndia, Malaqua, Armuz / com a espera..." no Cancioneiro Geral, III; quase contemporânea desta deve ser a de Barbosa (pp. 50 e 54)[1]. Na carta de Jerónimo de Santo Estêvão, anexa ao Livro de Marco Paulo (fl. 98 r)[2], é Ormos, mas Aromuz em Bisnaga (p. 70) [3]. Ormuz é a forma de Décadas (II, cap. 2, p. 48) e Lusíadas (II, 49; X, 40, 53, 101). Creio que se trata de forma (persa?) ouvida pelo Portugueses quando chegaram àquelas bandas, não havendo qualquer relação direta entre ela e as antigas por vezes citadas por autores classificófilos. Refiro-me à Harmazaei (Harmozia e Armuzia noutras edições) de Plínio (Historia Naturalis, VI, 110)ou à Harmozonte de Amiano Marcelino (23.º, VI, 10, p. 322).»
[1] J. P. Machado refere-se ao Livro em que Dá relação do que Viu e Ouviu no Oriente Duarte Barbosa, concluído em 1516, segundo informação do próprio autor da obra, que foi editada séculos mais tarde, em 1946, por Augusto Reis Machado.
[2] Marco Paulo: O Livro de Marco Paulo – O Livro de Nicolau Veneto – Carta de Jeronimo de Santo Estevam. Lisboa, 1922.
[3] Chronica dos reis de Bisnaga. Manuscrito inédito do século XVI, publicado por David Lopes, Lisboa, 1897.