Orações interrogativas ‘vs.’ orações completivas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Orações interrogativas ‘vs.’ orações completivas

A TLEBS não refere as orações interrogativas indirectas, classificando-as apenas como completivas. Porém, se nos orientarmos pelo que aí é dito sobre este tipo de subordinadas, ficamos sem saber como devem ser analisadas frases do tipo das que seguem:
1. Diz-me como te chamas.
2. Ignoro onde ela vive.
3. Perguntei quando regressavas.
4. Não sei que aluno faltou à aula.
5. Não sei quantos alunos faltaram às aulas.

De facto, a TLEBS não fala de advérbios interrogativos e parece não fazer referência a determinantes interrogativos. Aliás, a enumeração dos vocábulos que, segundo a TLEBS, podem introduzir subordinadas completivas não inclui nenhum dos que acima utilizamos. Que devemos concluir?
Ainda outra dúvida: como devemos dividir e classificar as orações na frase «Não sei (o) que tenho»:
a) Subordinante: «Não sei o (=aquilo)»;
Subordinada relativa: «que tenho»;
ou
b) Subordinante: «Não sei»;
Subordinada completiva (interrogativa indirecta?): «o que tenho.»
Muito obrigada.

Margarida Cunha Portugal 8K

Todas as frases que aponta contêm, do meu ponto de vista, uma frase completiva, e no seio das completivas eu também as classificaria, como presumo que a consulente faz, como interrogativas indirectas, algumas introduzidas por um pronome interrogativo – (1), (2) e (3) –, outras introduzidas por um quantificador interrogativo – (4) e (5).

(1) Diz-me como te chamas.
(2) Ignoro onde ela vive.
(3) Perguntei quando regressavas.
(4) Não sei que aluno faltou à aula.
(5) Não sei quantos alunos faltaram às aulas.

Não há, efectivamente, na TLEBS, referência a advérbios nem a determinantes interrogativos. Os interrogativos distribuem-se por duas classes: os pronomes, quando ocorrem isolados, ou seja, sem precederem um nome, e os quantificadores, quando precedem um nome.

Quanto ao facto de não surgir, nas completivas, referência específica às interrogativas indirectas e às palavras que as introduzem, não lhe sei dizer se é lapso ou se foi feito propositadamente, uma vez que esses vocábulos aparecem nas interrogativas, nos pronomes interrogativos ou nos quantificadores interrogativos.

Em relação à divisão sintáctica da frase «Não sei o que tenho», creio que ambas as hipóteses são possíveis, dependendo do facto de se considerar, ou não, o que como um bloco. Pessoalmente, prefiro a análise que encara esta expressão separadamente:
a) Subordinante: «Não sei o (= aquilo)»;
Subordinada relativa: «que tenho».
Aliás, se repararmos bem, este demonstrativo, o, é o complemento directo do verbo ter.

Edite Prada
Tema: TLEBS