Sim. Está adequada. Em «saborear a todos», o termo «a todos» é um objeto direto preposicionado.
Em A Gramática para Concursos Públicos (2026: 548-550), baseando-se na totalidade das lições normativas da gramaticografia brasileira contemporânea, o autor reúne todos os casos de objeto direto preposicionado, que se podem consultar abaixo:
«Objeto Direto Preposicionado (OD)
Lembre-se sempre de que não é o verbo que exige a preposição! Ela é posta antes do objeto direto normalmente por motivo de ênfase ou clareza. Nos oito primeiros casos, a preposição é obrigatória; nos demais casos, facultativa.
i) OD é pronome oblíquo tônico.
– Não entendo nem a ele nem a ti.
ii) OD é de um VTD + SE (partícula de indeterminação do sujeito).
– Antigamente, respeitava-se aos mais velhos.
iii) OD é preposicionado para evitar a ambiguidade.
– À mulher venceu o homem.(Sem a preposição a + a = à, "A mulher" poderia ser interpretado como sujeito ou objeto; assim, sabemos que o homem é o sujeito.)
iv) OD é o pronome relativo quem.
– Ele tinha um avô a quem idolatrava.
v) OD é uma expressão de reciprocidade – um(a/s) a(o/s) outro(a/s).
– Os lutadores agrediram uns aos outros.
vi) OD é um substantivo coordenado com um oblíquo.– Redação do art. 229, inc. III, do Novo Código Civil:
«Ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato:
(...)III – que o exponha, ou às pessoas referidas no inciso antecedente»
– Mulher, amo-te e aos meus pais também.
vii) OD é um infinitivo (regido pela preposição a) dos verbos ensinar e aprender.
– Sua professora lhe ensinou a ler Machado de Assis?
– Não aprendi a somar nem a dividir.
– "Olho Gabriela como a uma criança, e não mulher feita." (Ciro dos Anjos)
Se não houvesse a preposição, o sentido seria outro:
«Olho Gabriela como uma criança (olha)...», em que uma criança passaria a ser o sujeito do verbo implícito, e não o objeto direto.
Com a preposição, a leitura é esta: «Olho Gabriela como olho uma criança...».
ix) OD é um nome próprio ou comum, referente a seres personativos, principalmente com verbos que indicam sentimento.
– Nós amamos a Deus, a Jesus e aos anjos.
– O dinheiro, esse maldito!, atrai a homens e a mulheres.
Observação:Para alguns estudiosos, como Cláudio C. Henriques, Amini B. Hauy e Rocha Lima, a preposição a é obrigatória antes da palavra Deus, constituindo o objeto direto preposicionado.
x) OD é pronome de tratamento, indefinido, interrogativo ou demonstrativo.
– Não admito que coloquem a Sua Excelência num pedestal!
– O amor fere a uns, mas a outros não.
– Meu Deus, a quem eu devo ajudar?
– De todos esses filmes, eu odeio mais a estes do que àqueles.
xi) OD iniciando a oração, por motivo de ênfase.
– Ao povo ninguém engana.
– Às artimanhas de Satanás, as quais visam destruir nossa relação com Deus, devemos sempre evitá-las.
xii) OD é o numeral ambos.– Se deixassem, ele matava a ambos.
xiii) OD é constituído por expressões idiomáticas enfáticas (as preposições aqui são chamadas de posvérbios, termo cunhado por Antenor Nascentes para indicar que tais preposições não mudam a transitividade do verbo, mas atribuem um matiz de sentido ao contexto, tornando a frase mais expressiva).
– fazer com que ele estude, puxar da faca, arrancar da espada, sacar do revólver, pedir por socorro, pegar pelo braço, cumprir com o dever... beber da água, comer do pão, dar do leite...»
Sempre às ordens!