DÚVIDAS

Modificador apositivo do nome seguido de relativa exp+licativa

Começo por vos agradecer pelo vosso extraordinário trabalho e pela ajuda preciosa que nos dão.

A minha dúvida prende-se com a classificação da oração «que vivia na ilha Terceira», presente no excerto que transcrevo. Será uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva ou subordinada adjetiva relativa explicativa?

«E, com medo de colocarem a vida da criança em risco, decidiram que o pequeno Fernando ficaria em Portugal ao cuidado da avó materna, Madalena Xavier Pinheiro Nogueira, que vivia na ilha Terceira e o guiaria no temor a Deus e na estreiteza filosófica da educação cristã tradicional, rotineira e disciplinada da sociedade açoriana» (João Pedro George, “Os poemas da mãe de Fernando Pessoa”, 2.ª parte, in revista Sábado).

Muito grato.

Resposta

A oração «que vivia na ilha Terceira» deve ser classificada como oração subordinada adjetiva relativa explicativa.

O pronome relativo que tem como antecedente o sintagma nominal «a avó materna». O nome próprio que surge a seguir («Madalena Xavier Pinheiro Nogueira») constitui um modificador apositivo desse sintagma. Analisando a frase completa, verifica-se que o segmento «a avó materna» apresenta dois modificadores apositivos, o nome próprio e a oração relativa introduzida por que.

Considera-se a oração mencionada como explicativa, uma vez que esta não restringe a significação de «a avó materna», já que veicula apenas informação adicional acerca do referente. A função desta oração é, portanto, acrescentar informação adicional, ou seja, que a sua avó reside na ilha terceira.

Além disso, a estrutura frásica mantém-se gramatical e plenamente identificável caso se elimine a oração relativa. Se retirarmos «que vivia na ilha Terceira», a identificação do referente continua a ser possível. Este comportamento é típico das orações relativas explicativas, que fornecem informação acessória, não essencial à determinação do antecedente.

Em síntese, a oração «que vivia na ilha Terceira» desempenha a função de oração subordinada adjetiva relativa explicativa, contribuindo para caracterizar a avó materna e enriquecendo o enquadramento narrativo, mas sem desempenhar qualquer papel na delimitação ou identificação do referente. Acrescenta-se ainda que, regra geral, uma oração relativa restritiva fica habitualmente junto do nome que restringe, não existindo constituintes a intercalar.

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