Com efeito, do ponto de vista etimológico, as palavras leigo e laico derivam do grego laikós, tendo entrado na língua portuguesa por via do termo latino laĭcu-, «leigo». A palavra tinha sentidos relacionados com «do povo» ou «não especializado», o conceito-base que se encontra ainda hoje em ambas as palavras.
A evolução da palavra latina deu origem a duas palavras divergentes, que ainda partilham alguns traços semânticos. Com efeito, tanto laico como leigo podem descrever «que ou aquele que não recebeu ordens sacras»1 ou «que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa»1. Neste âmbito, as palavras são sinónimas.
No entanto, a sua evolução deu também lugar a uma especialização de alguns sentidos. Deste modo, leigo usa-se também para referir «que ou aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão»1, valores que não se identificam nos usos habituais de laico2. Por seu turno, a palavra laico parece ter-se especializado em referências que apontam para a separação entre Igreja/religião e o espaço civil/não religioso. Daí muitos dos exemplos de uso integrarem expressões como «estado laico» ou «ensino laico» (e outras similares).
Deste modo, e considerando os usos comuns, não identificamos exemplos que apontem para a utilização de laico como sinónimo de leigo com o valor de «desconhecer de determinada área ou assunto».
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1. Consultou-se o Dicionário Houaiss em linha.
2. Esta afirmação baseia-se na análise dos exemplos disponíveis no Corpus do Português, de Mark Davies, e numa busca simples na Internet, usando o motor de procura da Google.