Interrogativas indirectas e orações relativas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Interrogativas indirectas e orações relativas

Vejam-se as seguintes frases:

1 – «A que causa ele servia?»

2 – «Ao soldado não importava a que causa servia.»

3 – «Não se importava com a que causa servia.»

4 – «Não dava importância a (a que causa servia).»

Minha dúvida se refere à correção das frases 2 a 4.

Na frase 2, «a que causa servia» é uma oração subjetiva. Pode uma oração subjetiva iniciar-se com preposição? Nas demais, como fica o encontro das preposições regidas por verbos de orações diferentes? Está correto?

Obrigado.

Fernando Bueno Engenheiro Belo Horizonte, Brasil 6K

As orações subjectivas mencionadas pelo consulente são, em princípio, interrogativas indirectas. Estas orações mostram ter grandes restrições quando encaixadas em estruturas que não sejam introduzidas pela conjunção se ou por um verbo de conhecimento (saber, desconhecer, ignorar). Depois de verbos com regência, torna-se mesmo agramatical a sua ocorrência, como parece intuir o consulente quando duvida da correcção das frases 2 a 4. Sendo assim, haverá que as reformular, transformando-as em sequências de expressão nominal seguida de oração relativa:

2´ «Ao soldado não importava a causa que servia.»

3´ «Não se importava com a causa que servia.»

4´ «Não dava importância à causa que servia.»

É também possível recorrer a orações relativas livres (sem antececente), que formalmente se confundem com orações interrogativas indire{#c|}tas:

(1) «Ao soldado não importava quem servia.»

(2) «Não se importava com quem servia» (= «a pessoa que ele servia»).

(3) «Não dava importância a quem servia» (= «a pessoa que ele servia»).

Carlos Rocha