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A grafia dos nomes próprios antigos

Como é que se devem escrever agora nomes próprios antigos, por exemplo, Anthero de Figueiredo ou Antero de Figueiredo? Como citar nomes de publicações antigas, "A Illustração Portugueza" ou "A Ilustração Portuguesa"?

Obrigado.

José Antonio Martínez Funcionário Las Palmas de Gran Canaria, Espanha 684

A norma ortográfica em vigor (AO90) regista:

«Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome.», sublinhado meu.

    O mesmo é válido para firmas, marcas, títulos, etc., registados.

 

Parecer pessoal

     O sublinhado de “poderá” significa que se deve “aceitar” a exceção, depreendendo-se que a regra é atualizar a ortografia “oportunamente”, sempre, quando a norma muda. Em registos ou referência a entidades, singulares ou coletivas, que já não existem deve escrever-se com a norma em vigor.

    Como em tudo, porém, é preciso bom senso. Não faz sentido, por exemplo, numa mudança ortográfica querer ir mudar logo a lápide de um cemitério, o nome de uma rua, etc. No entanto, se nos referimos a alguém que registou ainda o seu nome como Víctor, é “normal” que hoje se escreva “o Vítor”.

    Ainda no bom senso, recomenda-se:

    Se houver vários possíveis e só um seja “o Víctor” é aceitável que este se distinga dos restantes, embora haja sempre o risco de parecer troça ou pedantismo. Por outro lado, em entidades atuais que mantêm a sua grafia na norma antiga, pode ser mesmo “conveniente” respeitar esta grafia antiga; como, por exemplo, em: “Vou à Lello.” (letras dobradas que já não existem há um século, mas que, por isso mesmo, identificam na antiguidade).

    Repito mais uma vez: a língua é rica, também, porque subtil nos cambiantes, ...e serve-se das normas, não as serve a elas...

    Nesta altura em que o AO90 ainda está em sedimentação, aconselha-se prudência neste tipo de mudanças. 

 

Ao seu dispor,

D´Silvas Filho
Tema: Uso e norma Classe de Palavras: nome próprio